A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público promoveu a terceira e última audiência pública para debater a abertura do comércio aos domingos. A primeira reunião foi realizada no dia 14 de novembro, em Salvador; e a segunda ocorreu ontem, em São Paulo.
Na audiência desta quarta-feira, a diretora de Atendimento e Planejamento do Ibope, Laure Castelnau, afirmou que 67% dos brasileiros concordam com a idéia; 59% costumam fazer compras aos domingos e feriados; e 56% só conseguem apontar vantagens na medida. A pesquisa foi realizada em sete cidades e ouviu 2.100 pessoas.
PERDAS DOS COMERCIÁRIOS
Os números do Ibope foram questionados pela presidente do Sindicato dos Comerciários do Distrito Federal, Geralda Gotinho. Segundo ela, desde a liberação do funcionamento das lojas aos domingos os comerciários sofreram perdas como o aumento da jornada de trabalho e a desagregação de suas famílias.
Gotinho disse ainda que a medida não gerou novos empregos, informação que foi refutada pelo representante do Sindicato dos Supermercados do Distrito Federal, Antonio Tadeu Peron. Ele garantiu que a abertura do comércio aos domingos está diretamente ligada ao crescimento positivo da economia e à geração de empregos, e alertou que as lojas dependem do faturamento desse dia.
LOJAS FATURAM
O presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping, Nabil Sahyoun, informou que o País tem 579 centros comerciais, onde se encontram 65 mil lojas, pelas quais circulam mensalmente 110 milhões de brasileiros.
Ele disse ainda que, para os shoppings, o domingo é o segundo dia de maior faturamento, atrás apenas do sábado, gerando R$ 120 milhões. Já o prejuízo causado ao setor por um dia de feriado seria de cerca de R$ 325 milhões.
De acordo com Sahyoun, desde dezembro de 2000, quando entrou em vigor a lei que autoriza o trabalho do comércio varejista aos domingos, foram gerados 80 mil novos postos de trabalho nos shoppings e outros 110 mil nos supermercados. Se tivermos que voltar a fechar aos domingos,
infelizmente vamos ter que demitir, alertou.
QUEDA DE EMPREGO
Para o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patha, em lugar da criação de novos postos de trabalho, a abertura das lojas aos domingos causou queda na geração de empregos no comércio. Ele defende a negociação da medida em convenção coletiva dos comerciários, como prevê projeto do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA). Os trabalhadores de cada município devem decidir o que é importante para sua região: trabalhar dois domingos por mês, receber horas extras ou refeições", sugeriu.
Segundo Patha, atualmente o comerciário trabalha sete dias por semana, não tem folga e nem recebe as horas extras trabalhadas no domingo. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indicam que a categoria trabalha mais de 52 horas por semana.
EQUILÍBRIO DE INTERESSES
Encerrada a fase de debates sobre o projeto que trata da abertura do comércio aos domingos, o relator da matéria, deputado Sandro Mabel (PL-GO), vai começar a elaborar o seu parecer. Ele adiantou que vai buscar um equilíbrio entre os interesses de lojistas e comerciários.
Reportagem - Carmem Fortes
Edição - Rejane Oliveira
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