Uma equipe de sete deputados da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias acompanha de perto o desastre ecológico causado pelo vazamento de 1,2 bilhão de metros cúbicos de material poluente, que caíram no Rio Pomba e atingiram o Paraíba do Sul, somando 170 quilômetros de água venenosa, que já atingiu o mar, em São João da Barra, no Rio de Janeiro.
O ACIDENTE
O desastre teve início na empresa de papel Cataguazes, que há 14 anos mantinha um reservatório abandonado de produtos químicos utilizados para produzir papel, que se rompeu há uma semana, despejando a lama tóxica no rio Pomba, em Cataguases/MG. Ainda existe o risco de rompimento de outro reservatório, o que pode provocar a morte completa do rio, uma vez que um dos produtos despejados, a lixívia, retira o oxigênio da água, matando qualquer tipo de vida. A espuma atingiu o rio Paraíba, afetando 39 municípios mineiros e sete fluminenses. Mais de quinhentas mil pessoas foram diretamente atingidas pelo acidente, que afetou o fornecimento de água à população.
CENÁRIO
O deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) descreve um cenário desolador ao relembrar as cenas do vazamento, mas revela que o acidente serviu para que a população tenha mais consciência da importância do rio nas suas vidas. "Isso é um fato que pode repercutir no futuro. Haverá mais consciência e mais cuidado com o rio pois as pessoas também se deram conta da importância da água como recurso; sem a água a vida fica impossível".
O deputado César Medeiros (PT-MG) também acompanhou a situação em Cataguases, ouvindo representantes do Ibama e as famílias atingidas diretamente pelo desastre. Ele ficou impressionado com o dano social causado pelo vazamento, uma vez que as famílias que moram perto da empresa simplesmente perderam toda a produção agrícola com a invasão da água poluída. César Medeiros se preocupa com o ressarcimento às pessoas que foram atingidas. "Isso vai ser julgado pela empresa, a principal responsável para indenizar essas famílias, mas, como não dá para esperar o julgamento disso, eu avalio que devamos tomar uma posição mais imediata". O deputado quer intervir junto aos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente para que as famílias não sejam tão prejudicadas até que a empresa possa repor o que foi perdido.
COMPENSAÇÕES
O Ministério do Meio Ambiente já anunciou que vai procurar compensar os pescadores atingidos. A ministra Marina Silva visitou na sexta-feira passada o local atingido e assinou portaria proibindo a pesca por três meses nas sete cidades do rio atingidas pelo vazamento.
Já foi decretada prisão preventiva dos donos da empresa.
AGENDA
Na próxima quarta-feira (9), a Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias vai ouvir representantes do Ibama e da empresa, além de secretários de Meio Ambiente do Rio e de Minas Gerais, para esclarecer melhor a gravidade e as medidas que estão sendo tomadas.
Por Adriana Magalhães/ ND
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