Mais de 3 mil professores de todo o Brasil chegam a Brasília na próxima semana, para a 3ª Conferência Nacional de Educação, Cultura e Desporto, promovida pela Câmara dos Deputados. Duas novidades vão marcar os debates: o formato da conferência, que será um grande júri para julgar o crime das não-aprendizagens e do analfabetismo no País; e o local do evento, uma enorme tenda instalada na Esplanada dos Ministérios, onde cursos, conferências e debates vão acontecer dia e noite, do dia 2 ao dia 6 de dezembro.
A presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, deputada Esther Grossi (PT-RS), convidou para a Conferência estudiosos da pedagogia e da psicologia do ensino, que participarão dos júris e darão cursos nos dias 2 e 3 de dezembro. São eles: o francês Gérard Vergnaud, um dos pais da didática pós-construtivista; a filósofa argentina Sara Pain, que estuda as relações entre ignorância e aprendizagem; a educadora paulista Vera Manzanares, que pesquisa métodos e didáticas de alfabetização; a antropóloga gaúcha Ana Luiza Rocha e o psiquiatra argentino Miguel Massolo, que estudam os aspectos socioantropológicos nas teorias de aprendizagem.
ATIVIDADES
Para os júris, que colocarão no banco dos réus a pedagogia, a política econômica e os meios de comunicação como co-autores das não-aprendizagens, estão sendo convidados jornalistas, políticos, professores, economistas, artistas e técnicos do governo. Haverá um juiz, advogados de defesa e de acusação e um júri popular que vão analisar a influência das três áreas na formação da cultura e da inteligência do povo brasileiro, e condená-las ou absolvê-las do crime de não ensinar.
Quatro audiências públicas sobre Cultura e Desporto também serão realizadas durante o evento, com a participação de personalidades como o artista plástico goiano Siron Franco; o teólogo Frei Beto; o ex-jogador de futebol Sócrates; a bailarina e coreógrafa Débora Colker e o cineasta Nelson Pereira dos Santos, entre outros.
LETRAMENTO
Atividades pedagógicas como o Festival de Letramento e o lançamento do Baú do Portinari também fazem parte das programações, além de debates sobre ciclos e progressão continuada e a proposta de inclusão da educação nos bens de serviço a serem inseridos na Organização Mundial do Comércio.
O festival de letramento será uma demonstração dos resultados obtidos em 13 projetos de alfabetização de adultos que estão sendo desenvolvidos em sete estados, a partir do programa Volta aos Estudos da Comissão de Educação, Cultura e Desporto. Esse programa alfabetizou, em 2000, 127 funcionários terceirizados da Câmara, e este ano desenvolveu pesquisa inédita, alfabetizando, simultaneamente, 13 adultos da Câmara e 13 crianças de uma favela de Brasília.
O Baú do Portinari é um conjunto de jogos pedagógicos criados pela Fundação Cândido Portinari para celebrar o centenário de nascimento do pintor, que acontecerá em novembro do ano que vem. Os jogos reproduzem parte da obra do artista e foram desenvolvidos para ajudar os professores a inserirem a vida e obra do artista nas atividades escolares do ano que vem.
No encerramento da Conferência será entregue o Prêmio Darcy Ribeiro da Comissão de Educação aos agraciados deste ano.
Informações e inscrições poderão ser obtidas pelo telefone (061) 0800619619, pelo fax 61.318.2149 ou pelo E-mail: coecd.decom@camara.gov.br.
Da Redação/AM
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