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Convênios escondem biopirataria, diz convidado

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 28 de novembro de 2002
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Um convênio não autorizado pelo Governo brasileiro pode estar servindo para a prática de biopirataria na Amazônia. A denúncia foi feita ontem à CPI que investiga o tráfico de animais e plantas silvestres no País pelo professor da Universidade Federal do Amazonas, Frederico Arruda. Ele estuda a exploração da biodiversidade brasileira há 20 anos.

Segundo Arruda, um convênio entre a indústria Stracta, ligada à americana Gladson, com a Universidade Federal do Pará tem servido para a retirada de extratos vegetais, não só da floresta amazônica mas também da mata atlântica. Os extratos são enviados ao laboratório da Gladson no exterior.

O governo brasileiro confirma que esse convênio ainda não foi aprovado pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, do Ministério do Meio Ambiente.

Frederico Arruda alertou também que existem vários convênios similares ao da Gladson no País, sem que haja qualquer controle por parte das autoridades brasileiras. Para o professor, a exploração da biodiversidade tem que ser tratada como questão de soberania nacional. Ele defende ainda a criminalização da biopirataria.

MAIS SUSPEITAS

Outras denúncias feitas pelo professor da Universidade do Amazonas à CPI foram a existência de uma página na Internet de um pesquisador francês que anuncia abertamente que está montando um herbário na Amazônia; e informações de que o Laboratório Roche, também norte americano, está fornecendo medicamentos para tratamento de malária aos índios do Programa de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, em retribuição aos conhecimentos a respeito do poder de cura das plantas que os índios ianomamis têm repassado.

DILIGÊNCIA

Essas e outras denúncias serão investigadas na própria Amazônia durante audiências públicas que a CPI fará amanhã, sábado e domingo em Manaus. A Comissão já agendou alguns depoimentos, mas se surgirem fatos novos os deputados também vão investigar e ouvir outras testemunhas além das previstas inicialmente. Deverão participar dos trabalhos no Amazonas o presidente da CPI, Luiz Ribeiro (PSDB-RJ), e os deputados Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Antônio Feijão (PSDB-AP), Waldemir Moka (PMDB-MS), Átila Lins (PFL-AM), Francisco Garcia (PFL-AM), Silas Câmara (PTB-AM). Ainda serão confirmadas as presenças do relator da CPI, Sarney Filho (PFL-MA) e do deputado Ricarte de Freitas (PSDB-MT).

Por Érica Junot/ DA

 

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