A pressão dos Estados Unidos junto ao governo canadense contra a importação de carne de frango do Brasil provocou reação na Comissão de Agricultura e Política Rural. O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) apresentou requerimento para a apreciação de moção de repúdio a ações do governo norte-americano que possam influenciar economicamente o Canadá contra produtos brasileiros. O assunto está na pauta da reunião prevista para a próxima quarta-feira (27).
Segundo Marquezelli, a posição dos Estados Unidos, justamente no momento em que se intensificam as discussões sobre a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mostra que os países precisam rediscutir o ingresso no bloco, para que todos tenham condições de negociar em igualdade de condições.
EXIGÊNCIAS
Segundo o deputado, o governo dos Estados Unidos determinou que somente as empresas canadenses que tiverem mais de um frigorífico podem importar frango do Brasil e ao mesmo tempo exportar para os EUA. "Em condições reais, eles estão querendo paralisar a importação de frango do Brasil. Essas intromissões norte-americanas são contrárias às normas internacionais. A Comissão de Agricultura repudia qualquer medida e ações que visem a impedir as regras internacionais de comércio exterior, ou intromissões descabidas que possam prejudicar o comércio dos produtos brasileiros".
AVIÕES E CARNE BOVINA
Marquezelli lembrou que esta não é a primeira vez que produtos brasileiros são vítimas de boicote. O próprio Canadá, que disputa com o Brasil o mercado de aeronaves, já impôs restrições à negociação da Embraer com a Polônia, impedindo a venda no valor de US$ 600 milhões de 21 jatos para a Lot, estatal polonesa.
O governo canadense também já boicotou a entrada de carne bovina no país, alegando que o gado brasileiro estaria contaminado pelo mal da vaca louca.
NA COLÔMBIA
O deputado também lembrou a influência dos Estados Unidos na compra de aviões brasileiros pela Colômbia. Recentemente, o governo norte-americano desaconselhou a aquisição de 24 aviões tucanos da Embraer, negócio avaliado em US$ 234 milhões, ameaçando até suspender a ajuda ao Plano Colômbia de combate à guerrilha e ao narcotráfico.
Marquezelli ressaltou ainda que a Organização Mundial do Comércio (OMC) deveria ser mais atuante nas disputas comerciais, para impedir o protecionismo dos países ricos contra produtos de outros países.
O parlamentar defende o fortalecimento do Mercosul, com a participação de todos os países da América do Sul, para garantir maior competitividade e equilíbrio nas negociações da Alca.
Por Tatiana Azevedo/ ND
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