Metade da dívida em títulos do Governo federal está atrelada à taxa de juros. Mas a elevação da taxa Selic de 21% para 22%, definida na última quarta-feira pelo Banco Central, não deve alterar a reestimativa de receitas para o ano que vem, feita por um Comitê de deputados e senadores da Comissão Mista de Orçamento.
O deputado João Almeida (PSDB-BA), por exemplo, não acredita que o aumento dos juros vai vigorar a ponto de atingir a reestimativa que ampliou as receitas do Governo em R$ 16,7 bilhões para 2003. "Essa elevação de juros não terá reflexos no ano vindouro. Isso é uma medida emergencial que o Banco Central tomou para conter as expectativas de elevação da inflação. As taxas de juros devem voltar aos patamares tradicionais no início do ano, portanto, sem influenciar a execução orçamentária".
ECONOMIA VAI CRESCER
Mais cauteloso, o deputado Jorge Bittar, líder do PT na Comissão Mista de Orçamento e integrante do Comitê de Receitas, diz que é preciso observar com cuidado o comportamento da economia nos próximos meses. Mas também acredita que haverá espaço para queda na taxa de juros. "Evidentemente, vamos ter que observar atentamente o cenário econômico do País, porque provavelmente, no primeiro trimestre do ano que vem, haverá uma nova rodada de entendimentos entre o governo e o FMI. Nosso pensamento é que a economia, a partir de agora, entre em uma rota de crescimento um pouco mais acentuado e que continuemos na melhoria de nossas contas externas. Assim, será criado um ambiente econômico favorável à redução das taxas de juros".
Nos próximos dias 17 e 18 de dezembro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reúne-se novamente para decidir se mantém, aumenta ou diminui a taxa básica de juros. E na próxima terça-feira a Comissão de Orçamento reúne-se para votar a reestimativa de receitas.
Por Alexandre Pôrto/PR
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