A Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior realizou, ontem, uma série de reuniões com diversos segmentos da sociedade, a fim de reunir subsídios para a IV Conferência das Cidades, que vai ter como tema "A Cidade Cidadã: os meios de superar a violência urbana". O evento ocorrerá na Câmara nos dias 3, 4 e 5 de dezembro.
OCUPAÇÃO DESORDENADA X VIOLÊNCIA
Em 1960, apenas 44,67% da população brasileira vivia nas cidades. Quarenta anos depois, em 2000, a população urbana chegava a 81,25%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento desenfreado das cidades brasileiras acarretou uma série de problemas, sendo que a violência é um dos mais sérios. A relação entre ocupação desordenada das cidades e a violência urbana foi o tema principal das reuniões.
Na opinião do presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, deputado João Sampaio (PDT-RJ), é preciso tratar a violência como um problema complexo. "Como somos uma Comissão de Desenvolvimento Urbano, nós estamos procurando levantar quais são aqueles aspectos da vida urbana brasileira que, hoje, contribuem para aumentar o nível de violência ou, pelo contrário, para reduzi-la. E parece que vai ficando claro que há uma co-relação grande entre desordem urbana do ponto de vista espacial, do ponto de vista de falta de planejamento urbano e a violência."
O parlamentar acredita que o Poder Público tem dado as costas para questões fundamentais, como habitação, educação, lazer e esporte, cuja ausência contribui para o aumento da violência.
PREENCHER ESPAÇOS
Para a professora da Universidade de São Paulo, Ermínia Maricato, a falta de planejamento na configuração urbana é uma das maiores causas da violência. De acordo com a professora, que integra a equipe de transição do Governo Lula, é preciso que o Poder Público preencha os espaços nas áreas críticas, com forte presença física, não apenas erguendo obras, mas construindo políticas sociais e culturais. "Eu acho que a forma mais correta seria você fazer uma unidade da prefeitura e do governo do Estado dentro desses bairros. O que significa isso? Ter lá uma sub-prefeitura, ter um posto avançado da prefeitura e do governo estadual, evidentemente ter melhor atendimento de educação e saúde, de esporte, de lazer. Mas é preciso você ter uma programação também educativa, artística. Arte é muito importante para quebrar essas barreiras todas de violência, a arte é uma ponte excepcional na relação entre as pessoas".
No entanto, Ermínia constata que os governos ainda não tomaram consciência que o Brasil é um país urbano e não tratam dos problemas urbanos de forma integrada.
Por Adriana Magalhães/ ND
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