Em nota oficial divulgada hoje, a direção nacional do PMDB comentou a desistência do PT em incluir o partido na composição ministerial. O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), disse na nota que o Partido nunca pleiteou cargos ou a participação no futuro governo.
Na versão da direção nacional do PMDB, foi o deputado José Dirceu (PT-SP), ministro anunciado para a Casa Civil, que telefonou insistentemente para o presidente do PMDB sinalizando que pretendia a participação dos peemedebistas no futuro governo.
INDEPENDÊNCIA
De acordo com a nota, há uma disposição no Partido para garantir a governabilidade - o PMDB continuará apoiando o que for melhor para a sociedade, mas mantendo uma posição de independência.
O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), é um dos que defende esse posicionamento. "O PMDB vai estar no Congresso Nacional, dando apoio sem participação no governo, barganha política ou troca de cargos, mas, dando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a oportunidade de governar para os brasileiros, para que tenhamos num futuro muito próximo um País mais digno, justo e humano para todos nós".
Mas, para o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), o rompimento de um acordo político é algo grave e, neste caso, "desautorizou" o deputado José Dirceu, que estava responsável pelas negociações. Geddel adverte que se esse comportamento acontecer na área econômica, haverá crise.
ACORDO POSSÍVEL
Já o vice-líder do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), discorda das afirmações. Para ele, em qualquer negociação é preciso paciência e nem sempre o interlocutor consegue fechar um acordo. Também não há, segundo ele, uma situação de rompimento. "José Dirceu buscou, como interlocutor, um entendimento que não foi respaldado completamente pela equipe do PT. Em qualquer negociação, o interlocutor corre o risco de não traduzir o entendimento do grupo que ele representa. Isso tem de ser tratado de uma maneira natural. Quem faz política tem que ter paciência, tem que saber que às vezes um acordo não se efetiva no momento, mas algumas semanas depois se torna viável", afirma o parlamentar.
Ricardo Berzoini disse ainda que não teme que o PMDB venha a formar um bloco com outro partido, o que poderia atrapalhar a intenção do PT de presidir a Câmara. Ele acredita no acordo que se tornou tradição na Casa - a eleição do presidente pelo partido majoritário.
Por Poliani Castello Branco/ DA
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