Em entrevista à TV Câmara, o ex-presidente Aécio Neves reafirmou o compromisso do PSDB de fazer o que ele chama de uma oposição responsável ao PT. O governador de Minas enfatizou a importância da experiência de 16 anos como parlamentar e, graças a ela, acredita estar mais preparado para exercer o cargo. Aécio Neves lembrou as conquistas dos dois últimos anos na Presidência da Câmara e disse que manterá os princípios que guiaram sua vida como parlamentar: o diálogo permanente com todos os setores da sociedade e a flexibilidade na hora de fazer política.
P- Presidente, foram 16 anos como parlamentar. O senhor agora está deixando a vida parlamentar para se dedicar ao governo de Minas Gerais. Qual a avaliação que o senhor faz dessa vida como parlamentar? Valeu a pena?
Aécio - Valeu muito a pena. Eu costumo dizer que qualquer brasileiro que queira ocupar um cargo no Executivo deveria antes passar pelo Legislativo. É no Parlamento que você compreende que não existe verdade absoluta. O Parlamento brasileiro é a radiografia mais bem acabada do Brasil. Ali você encontra pessoas de formação social absolutamente heterogênea, mas com uma visão comum do País. O Parlamento é a maior das universidades que a vida pública pode oferecer a qualquer brasileiro.
P - Qual é a avaliação que o senhor faz desse trabalho como presidente?
Aécio - A minha eleição não foi uma eleição de oposição, foi de articulação onde firmamos uma série de compromissos. E eu tenho orgulho de dizer que encerro esse mandato tendo cumprido cada um desses compromissos. Hoje, o Parlamento está mais forte. A limitação das medidas provisórias vindas do Executivo fez com que o Parlamento reassumisse sua função original, a de legislar. Conseguimos uma aproximação da Câmara com a sociedade com a criação da Ouvidoria Palamentar e da Comissão de Legislação Participativa.
P - O senhor se preocupou muito nesses dois anos em manter contato com parlamentares de outros países e foi um diplomata. Esse trabalho teve uma boa receptividade?
Aécio - Dois grandes eventos sobre a Alca, envolvendo os principais negociadores internacionais da matéria, permitiram que os presidentes de praticamente todos os países da América dialogassem diretamente com o presidente Fernando Henrique, com o Lula e com os parlamentares mais influentes do Brasil. Essa foi uma clara demonstração de que a integração comercial não pode ter no Parlamento apenas um ratificador de acordos. Mais do que isso, deve funcionar como espaço para afastar o forte caráter político e ideológico dessa questão e assim, compreendê-la com maior pragmatismo.
P - Presidente, vamos falar um pouquinho de futuro. A nova Câmara dos Deputados vem bem diferente da que o Senhor comanda hoje. Como o senhor analisa essa futura composição de forças dentro do Congresso?
Aécio - Acho que avanços importantes aconteceram. Nós temos hoje a TV e a Rádio Câmara fortalecidas nessa gestão e esse é um orgulho pessoal que trago. Não existe no mundo um parlamento tão transparente nas suas informações. Qualquer brasileiro em qualquer parte desse País pode acessar o site da Câmara dos Deputados para saber a tramitação de qualquer projeto. A Câmara eu acho que hoje adquiriu um nível de profissionalismo muito grande e a expectativa é que no futuro esses novos instrumentos possibilitem que os novos parlamentares tenham melhores condições de exercer seus mandatos.
P - Como vai ser a relação do PSDB com o PT? Os governadores vão ter uma relação e os parlamentares vão ter outra?
Aécio - Isso não existe. O partido é um só e tem várias instâncias de representação. O PSDB construirá caminhos para que a sua unidade prevaleça sobre questões menores. Não tenho dúvida de que o PSDB continua sendo uma forte alternativa de poder no País. Nós exerceremos com muita responsabilidade a missão que nos foi delegada pela população brasileira, que é de ser oposição. Mas nós vamos exercer esse papel de oposicionistas com muita responsabilidade. Existem matérias importantes para o País que deverão contar com a nossa solidariedade, independentemente de virem de um governo ao qual fazemos oposição.
P - Qual é a sua expectativa para o governo de Minas?
Aécio - Eu assumo o governo de Minas com muita determinação. A situação dos estados em geral é muito grave e a de Minas especialmente frágil do ponto de vista fiscal. Mas eu estou determinado a reunir as melhores inteligências do estado para nós erguermos um grande projeto em Minas, para que o Estado volte a ter um papel relevante na economia brasileira.
P - Para finalizar, uma mensagem do Presidente que deixa a Câmara dos Deputados para assumir o Palácio da Liberdade em Minas Gerais
Aécio - Eu vou ser sempre um parlamentar, onde quer que eu esteja. O parlamentar é aquele sempre disposto a ouvir, a convencer, mas também a ser convencido mediante argumentos. Eu sou um democrata e no governo de Minas vou buscar sempre uma presença forte do estado junto ao parlamento e ao Governo Federal. Acho que esse novo momento político é de grande expectativa. Sou um otimista e acredito na retomada do crescimento econômico e da geração de empregos. Gostaria de agradecer sobretudo aos meus companheiros parlamentares pelo apoio que me deram em todos os instantes, em todas as matérias que nós levamos a votação. O meu agradecimento especial aos funcionários da Câmara. Excepcionais colaboradores, preparados, muito idealistas e compreendedores da função que exercem; e também a todos aqueles que em Minas Gerais e no Brasil confiaram e acompanharam nosso trabalho no Congresso.
Da Redação/AM
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