A Comissão de Economia, Indústria, Comércio e Turismo aprovou os Projetos de Decreto Legislativo 2230/02 e 2306/02, do Senado Federal, que aprovam as programações monetárias relativas, respectivamente, ao terceiro e ao quarto trimestre de 2002. Os pareceres dos deputados Alex Canziani (PSDB-PR) e Júlio Redecker (PPB-RS) foram favoráveis às duas matérias.
TERCEIRO TRIMESTRE
Em seu relatório, o deputado Canziani afirma que o terceiro trimestre deste ano foi caracterizado pelo aumento das turbulências no cenário econômico interno, como resultado sobretudo das tensões políticas decorrentes da campanha eleitoral. "Com o aumento das incertezas para o médio prazo, a demanda por dólares cresceu expressivamente, levando a uma rápida e inesperada desvalorização do real. De outra parte, dificultou-se a rolagem dos papéis do Governo, com a conseqüente redução do prazo médio da dívida vincenda e da elevação das taxas de juros pactuadas", acrescenta.
Apesar do cenário desfavorável, Canziani apresentou parecer favorável ao projeto por entender que "a estratégia seguida pelo Governo procurou preservar a credibilidade das metas de inflação, em um momento no qual o Banco Central dispunha de instrumentos poucos efetivos para a alteração das expectativas desfavoráveis quanto ao futuro imediato da nossa economia".
QUARTO TRIMESTRE
Já o deputado Júlio Redecker, em seu parecer sobre a programação monetária do quarto trimestre deste ano, aponta o período ainda em curso como "o mais duro teste para o regime de metas inflacionárias desde a sua implementação". Ele aponta, entre outros fatores, a desvalorização do câmbio, a elevação dos índices de inflação e a expansão do endividamento público.
Na opinião do parlamentar, grande parte das dificuldades nacionais do momento tem origem nas dúvidas quanto à transição entre as políticas econômicas do atual e do futuro Governo. "Nessas condições, as metas de inflação não mais conseguem cumprir totalmente seu objetivo de servir como a âncora nominal da economia na presença de câmbio flutuante, já que não se tem certeza absoluta de que este regime será mantido a partir do próximo ano", acrescenta.
As duas matérias foram encaminhadas à Comissão de Finanças e Tributação.
Da Redação/ RO
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