Altos funcionários do Ibama do Pará estão envolvidos em corrupção. A denúncia foi feita por representantes do órgão, em reunião reservada da CPI do Tráfico de Animais e Plantas Silvestres. A audiência pública da CPI prevista para hoje foi adiada porque os depoentes não apareceram.
A CPI ouviria o pesquisador holandês Marcos Rosmalen, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que responde inquérito civil e administrativo por ser proprietário de um criadouro ilegal de macacos em Manaus. Existem denúncias de que ele também enviou várias amostras de sangue dos primatas para o exterior.
O presidente da CPI, deputado Luiz Ribeiro (PSDB-RJ), enviou ofício à Polícia Federal do Amazonas para que o pesquisador Marcos Rosmalen venha depor em Brasília sob guarda. O deputado não aceitou o atestado médico falso enviado pelo pesquisador. O presidente da CPI, que também é médico, descobriu que o atestado foi concedido ao pesquisador há 2 meses.
Em reunião reservada, os deputados da CPI ouviram ontem representantes do Ibama, que não tiveram seus nomes revelados. Eles relataram as dificuldades enfrentadas pelo Instituto, como a falta de interação entre os diversos escritórios no País, o excesso de burocracia que favorece a ilegalidade e a impunidade, e a falta de critérios para o manejo sustentável de toda a potencialidade madeireira do País. Eles também denunciaram o envolvimento do alto escalão do Ibama do Pará com a extração ilegal de castanheira e mogno.
Hoje, os deputados da CPI viajaram para o Pará, onde realizam audiências públicas amanhã e sábado para apurar denúncias de tráfico de madeiras nobres extraídas da Amazônia. Quarenta e cinco pessoas devem ser ouvidas, entre representantes do Ministério Público, do Ibama, de madeireiros e de Ongs.
Por Érica Junot/AM
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