A CPI da Tortura promoveu hoje, a portas fechadas, acareação entre as testemunhas da morte do cozinheiro Antônio de Abreu, ocorrida nas dependências da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Foram ouvidos os dois delegados que estavam de plantão no momento da morte, Luis Felipe Egger Magalhães e Marcelo Duval Soares; o perito do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, primeiro-tenente Francisco Gonçalves Gabriel, que atendeu o cozinheiro; e Samuel Dias de Cerqueira e Márcio de Cerqueira Gomes, que foram presos junto com o cozinheiro.
Segundo o relator da Comissão, deputado Helenildo Ribeiro (PSDB-AL), a acareação mostrou que a vítima foi torturada na carceragem da Polícia Federal, o que provocou a sua morte. Ele descarta a versão dos policiais de que a morte teria sido causada por uma briga entre os próprios detentos, alegando que eles não teriam condições físicas de provocar os graves ferimentos que mataram o cozinheiro.
"Foram colocados frente a frente os presos, os dois delegados e o pessoal do Corpo de Bombeiros, porque havia muita divergência com relação a esses fatos. Eu acho que o entendimento de toda a Comissão, após a acareação, é de que realmente ele foi torturado e morto lá, e não pelos presos como diz a polícia. Foi um verdadeiro massacre", afirmou o relator.
Para Ribeiro, os delegados podem ter errado por omissão: "Os próprios presos disseram que em nenhum momento sofreram agressão por parte dos delegados. Portanto, existe um problema de omissão. Um delegado tem que manter os comandados sob sua tutela, não pode permitir desordem, e muito menos que aconteça aquilo que aconteceu".
O CASO
Antônio de Abreu foi detido na Superintendência da PF do Rio no último dia 7 de setembro, com outros dois rapazes acusados de matar um agente policial. No dia seguinte, Antônio estava morto.
Na tentativa de identificar os culpados, a Comissão fará uma sessão de reconhecimento na sexta-feira, no Rio de Janeiro, e até o próximo dia 19 o relator apresenta o relatório final sobre o caso.
Por Adriana Magalhães/ RO
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