Os acidentes dos últimos anos envolvendo a Petrobras podem ter causas como a negligência e imperícia da empresa, a terceirização de funcionários e até mesmo sabotagem. Essas hipóteses foram discutidas hoje durante audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, que avaliou o desempenho da estatal na prevenção e controle de acidentes. O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Abílio Tozini, apontou a terceirização de 75% dos funcionários como a maior ameaça à segurança dos trabalhos da empresa. Segundo ele, com a manutenção terceirizada, os técnicos acumularam cada vez mais funções e deixaram de ser especialistas. Já o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Leite, disse que as circunstâncias dos acidentes são estranhas, e é preciso considerar a hipótese de sabotagem para queimar a imagem da empresa e facilitar a privatização. Já o responsável pela implantação de programas de segurança, meio ambiente e saúde da Petrobras, Rui Antônio Alves, rebate todas as acusações contra a companhia. Ele disse que a Petrobras não terceirizou os procedimentos mais importantes, além de incluir esses trabalhadores em programas de segurança e meio ambiente. Rui Antônio também afirmou que as investigações feitas até agora descartam a ocorrência de sabotagem. O relator da Proposta de Fiscalização e Controle que investiga o assunto, deputado Ronaldo Vasconcellos (PL-MG), anunciou quem vai apontar como culpado pelos acidentes.
A antiga gerência da Petrobras e a atual gerência. Devo dizer que, de uns tempos para cá, a Petrobras começou a entender que era importante valorizar seus recursos humanos, seus técnicos e a questão da engenharia. Houve erro e negligência por parte da Petrobras durante muito tempo. Agora ela começa a mudar de postura.
Ronaldo Vasconcellos também informou que não vai incorporar a idéia de sabotagem no relatório.
Eu não posso fazer um relatório sobre hipóteses. Nós não vamos contemplar essa idéia de sabotagem, embora ela possa ter acontecido. O que nós precisamos apontar são os fatos concretos que aconteceram há alguns anos na Petrobras.
O relatório de Ronaldo Vasconcellos deverá ser votado amanhã, após o que a comissão vai decidir se encaminha o texto ao Ministério Público. Nos últimos anos, a Petrobras tem registrado acidentes que chamaram a atenção da opinião pública. Em janeiro de 2000, um vazamento de cerca de 1.300 metros cúbicos de óleo na refinaria Duque de Caxias, no Rio, deixou uma mancha de 40 quilômetros quadrados na Área de Proteção Ambiental na Baía de Guanabara. Em julho do mesmo ano, novo acidente: quase 4 mil metros cúbicos de óleo foram lançados nos rios Barigui e Iguaçu, no Paraná. O acidente provocou uma mancha de 15 km de extensão. Em 2001, o afundamento da Plataforma P-36 causou a morte de 11 trabalhadores e um grande prejuízo para a empresa.
Por Alexandre Pôrto/AM
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