A CPI do Banespa interrompeu há pouco o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, porque os deputados foram chamados para as votações em plenário. No início de sua fala, Mauch revelou que nem o conselho de administração que dirigia o banco durante o regime de intervenção, nem a comissão de inquérito que investigou a situação financeira da instituição, tinham autonomia de atuação. Ambos agiam sob orientação direta do Bacen.
Para o presidente da Comissão, deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), a informação é contraditória em relação ao depoimento prestado ontem pelo ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida, segundo o qual os dois órgãos tinham "total autonomia" de trabalho.
ERROS GRAVES
Fleury acusou o Bacen de ter cometido "erros graves", intencionalmente, no processo de intervenção no Banespa. Ele garantiu que o balanço do banco era positivo na época, mas o Banco Central teria feito gestões para alterar os números. Ele estranhou ainda que a situação financeira do Banespa tenha sido informada aos acionistas somente sete meses depois da intervenção, quando a lei estipula o prazo de 30 dias.
O presidente da CPI lembrou ainda que 46,5% da dívida do Banespa foram contraídos durante o mandato do ex-governador Franco Montoro, do PSDB, e prometeu investigar as denúncias de que o Governo Federal teria forçado a intervenção para facilitar a posterior privatização do banco. A denúncia foi reforçada pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), segundo o qual o Banespa tinha condições técnicas para ser saneado financeiramente.
Já a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) defendeu a intervenção como uma solução tecnicamente adequada. Na opinião dela, a CPI do Banespa foi criada com um "vício de origem", com o objetivo de atingir politicamente o Governo Federal.
Por Carmem Fortes/RO
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