O deputado Milton Temer (PT-RJ) questionou o ex-diretor do Banco Central José Carlos Alvarez sobre a real percepção da autoridade monetária sobre a situação do Banco Nacional. Alvarez informou anteriormente que ficou surpreso com a situação encontrada durante a intervenção. Temer explicou que a conclusão lógica é que não havia realmente risco sistêmico quando da intervenção, que foi adotada a partir da criação do Programa de Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro (Proer).
"Mas havia uma clara percepção das dificuldades de liquidez. O problema de liquidez era conhecido não só no Nacional, mas em vários bancos. Quando entramos, passamos a ter insegurança com o tipo de ativos que eles possuíam".
Na opinião de Temer o depoimento de Alvarez confirma que não havia risco sistêmico que justificasse a adoção do Proer, que, na sua avaliação, destinou desnecessariamente recursos públicos para o sistema financeiro.
Sobre os critérios para a compra de títulos usados nas garantias de venda dos bancos insolventes, Alvarez explicou que havia vários indicadores para a escolha dos bancos onde seriam adquiridos os títulos do FCVS. Os títulos, que não tinham liquidez e em muitos bancos estavam provisionados, foram adquiridos por 50% do valor de face. O deputado Milton Temer (PT-RJ) questionou o valor atribuído pelos títulos, entendendo que os bancos que venderam foram beneficiados. "O valor da aquisição foi baseado em estudos econômicos", respondeu Alvarez.
Por Cid Queiroz/AM
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