O ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, acreditava na possibilidade de sanear o Banespa em pouco tempo e devolvê-lo ao governo do estado de São Paulo. Foi o que ele garantiu hoje durante depoimento na CPI que investiga o processo de intervenção no banco, iniciado em dezembro de 1994. Deputados de oposição desconfiam que a intervenção escondia a intenção dos governos federal e estadual em privatizar o Banespa, o que finalmente aconteceu no ano passado.
Quando Pérsio Arida assumiu a presidência do BC, em janeiro de 1995, o Banespa já estava em processo de intervenção há um mês, no regime de administração especial temporária. Quando ele deixou o cargo, em junho do mesmo ano, faltavam dois meses para a conclusão do relatório da comissão de inquérito que acompanhou a intervenção.
Arida explicou aos deputados que a situação do banco era complicada, pois acumulava uma dívida de R$ 5,6 bilhões e tinha como maior credor o governo de São Paulo, que respondia por 70% de suas operações financeiras. Outros problemas que teriam determinado a intervenção seriam a falta de liquidez e o desencontro entre os empréstimos a longo prazo e a captação a curtíssimo prazo.
A explicação não convenceu a Oposição. Segundo o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), houve uma manobra do governo para impossibilitar o saneamento do banco e justificar a sua privatização.
Por Carmem Fortes e Érica Junot/RO
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