O ex-interventor do Bamerindus Luiz Carlos Alvarez rebateu a acusação de Andrade Vieira de que o Banco Central sabotou suas estratégias para recuperar seu banco. Em depoimento à CPI do Proer, o ex-controlador do Bamerindus argumentou que o Banco Central não autorizou a venda da sua carteira imobiliária para a Caixa antes da intervenção por R$ 1, 2 bilhão. Segundo Vieira, depois da intervenção a carteira imobiliária do Bamerindus foi vendida por R$ 2,5 bilhões. Alvarez explicou que, além de não ser suficiente para salvar a situação do Bamerindus, a operação só podia ser autorizada para recuperar os ativos do banco sob intervenção e não premiar a gestão incompetente. "Se fôssemos fazer isso com o Bamerindus, teríamos que fazer com todos os outros bancos".
A mesma lógica foi adotada para a questão dos créditos tributários. Andrade Vieira questionou a negociação de créditos tributários do Bamerindus depois da intervenção. Na opinião de Vieira, essas duas operações, vetadas pelo Banco Central, poderiam reverter a crise do Bamerindus.
Sobre a venda da Inpacel (empresa de celulose do grupo Bamerindus), avaliada por Vieira em mais de US$ 400 milhões e vendida por US$ 10 milhões, Alvarez afirmou que o problema é que as dívidas da empresa praticamente se equivaliam aos seu valor.
O deputado Ivan Valente (PT-SP) apresentou inquérito do Bacen confirmando denúncias de gestão fraudulenta de interventores do Bamerindus. Alvarez informou que foi ele que recebeu a denúncia e determinou a apuração, mas não tem conhecimento do resultado final, uma vez que já está aposentado. Segundo Valente, nenhuma providência foi adotada pelo Bacen.
Por Cid Queiroz/AM
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