Depois de ouvir o depoimento do presidente do banco inglês HSBC, Michael Goeghegan, a CPI do Proer quer aprofundar as investigações sobre a intervenção e venda do Bamerindus. O HSBC adquiriu o Bamerindus em 26 de março de 1997 e, segundo Michael Goeghegan, injetou neste mesmo dia US$ 960 milhões no banco brasileiro. Mas o ex-controlador do Bamerindus, Andrade Vieira, disse que no dia seguinte, 27 de março de 1997, sob intervenção do Banco Central, o Bamerindus comprou R$ 1 bilhão em títulos brasileiros do grupo HSBC, os chamados "Brazilian bonds".
Para o deputado Ivan Valente (PT-SP), se essa operação casada for confirmada, ficará provado que o HSBC adquiriu o Bamerindus sem desembolsar um único centavo. "O senhor Goeghegan não soube responder a respeito dessa operação. Nós requeremos a documentação dessa operação com títulos brasileiros nessa data e também vamos pedir ao Andrade Vieira que nos mande a informação precisa do que aconteceu naquele dia. Porque, se foi uma operação casada, o HSBC não aportou nenhum recurso novo ao Brasil.
MINORITÁRIOS
O presidente da CPI do Proer, deputado Gustavo Fruet (PMDB-PR), disse que as operações do caso Bamerindus serão um capítulo à parte nas investigações dos deputados. Afirmou ainda que a Comissão pretende intermediar negociações entre os acionistas minoritários do Bamerindus, o Banco Central e o HSBC. Segundo disse à CPI o presidente da Associação de Acionistas Minoritários do Bamerindus, Euclides Ribas, a forma como o Banco Central estabeleceu o contrato de intervenção no Bamerindus não permitiu que os 53 mil acionistas minoritários recuperassem cerca de R$ 100 milhões investidos no Banco.
Por Alexandre Pôrto/RCA
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