O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou em audiência pública conjunta que o volume de crédito do País cresceu bastante, mas que ainda tem condições de crescer mais. Segundo Fraga, o Banco Central apresentou, no primeiro semestre, resultado positivo R$ 309 milhões. Se fossem excluídos do resultado os reflexos das dificuldades financeiras enfrentadas pelos bancos no segundo semestre, o resultado seria de R$ 1,254 milhões.
Ele acrescentou que a desvalorização da moeda frente ao dólar também contribuiu negativamente. Porém, Armínio destacou a Política de Gastos do Banco Central como uma das principais responsáveis pelo crescimento no volume de crédito.
Interrogando o presidente, o deputado Enio Bacci (PDT-RS), presidente da Comissão de Economia, questionou sobre a possível privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O deputado entende que as duas instituições são as grandes responsáveis pelo crédito no País. Armínio Fraga disse que o Banco Central está terminando uma inspeção nessas instituições, e só assim poderá fazer uma análise entre o custo e o benefício do que elas representam.
O deputado Milton Temer(PT-RJ) questionou a isenção da CPMF para aplicações de estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira. O parlamentar informou que entrou com duas ações na Justiça. Em uma, ele diz que a medida é inconstituicional porque dá tratamento diferente ao investidor, e em outra ele alega que essa é uma forma de legalizar a sonegação fiscal. O presidente do Banco Central justificou que é importante criar um ambiente de competitividade brasileira em relação às bolsas estrangeiras. A medida, justifica Fraga, visa evitar que o investidor vá aplicar na bolsa de outro país.
O líder do PT na Câmara, deputado Aloizio Mercadante (SP), questionou a desvalorização do real ocorrida em janeiro de 99. O presidente do Bacen disse que a origem das perdas já são conhecidas e que o Governo está trabalhando para evitar o mesmo de janeiro. Ele explica que o Banco já está convencido de que os facilitadores são o regime de câmbio flutuante, o regime fiscal sólido e a política monetária transparente, que evitam especulação.
O deputado Ricardo Bezoini (PT-SP) entregou ao presidente um relatório do procurador da república do DF, Luiz Francisco, que apontaria inconsistência na avaliação do Banespa. Armínio Fraga defendeu que, pelo fato de se tratar de um leilão, os valores serão corrigidos no processo de venda.
Fraga anunciou que, em um prazo de duas semanas, será realizado um seminário em comemoração a um ano de trabalho pela redução do "spread" das instituições financeiras. Segundo o presidente, no ano passado era de 52%, baixando para 37%, o que ainda é considerado alto.
Por Maristela Sant'Ana/LC
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