Ricos e pobres batem em criança do mesmo jeito. A afirmação é da professora Maria Cecília Minayo, do Centro Latino Americano de Estudo sobre Violência e Saúde. Ela defendeu a realização de uma ampla campanha nos meios de comunicação. "É preciso transformar o tapa, o soco, o pontapé e a palmada em palavra", disse a especialista. Maria Cecília Minayo participou hoje pela manhã do Seminário "O Fim das Punições Físicas contra Crianças", promovido pela Comissão de Direitos Humanos.
O presidente da Comissão, deputado Marcos Rolim (PT-RS), não tem dúvida da dificuldade em se tratar publicamente de um tema como este. Mas informa que já está em andamento a proposta da Comissão de se fazer uma campanha nacional maciça, em parceria com a Fundação Abrinq. "Falta mais", diz Marcos Rolim. "Seria necessário encontrar um mecanismo de financiamento da campanha. Vamos tentar junto ao Governo Federal, ou algum parceiro privado, inclusive os próprios meios de comunicação, a possibilidade de que eles também se integrem à campanha, permitindo a veiculação da idéia de que é possível e necessário educar as crianças sem bater nelas, garantindo que haja imposição de limites que respeitem também a própria dignidade das crianças".
A prática do abuso físico, tanto pelo pai, quanto pela mãe e irmãos da criança está legitimada em cerca de 90% dos lares brasileiros. De janeiro a agosto deste ano, o centro de atendimento SOS Criança do Distrito Federal recebeu quase duas mil denúncias de violência: metade delas é de abusos físicos.
Por Márcia Brandão/LC
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