A CPI do Narcotráfico vota hoje o relatório final do deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Hoje é o prazo final para votação do relatório. A reunião será às 10 horas no plenário 11.
Segundo Moroni Torgan, o relatório final da CPI do Narcotráfico vai pedir o indiciamento de mais de 200 pessoas e a criação de uma Comissão Permanente de Segurança, Combate ao Narcotráfico e ao Crime Organizado. Será proposta também a criação de uma comissão especial processante, composta por representantes do Legislativo, Judiciário, Executivo e do Ministério Público, para garantir a implementação das medidas sugeridas no relatório.
O relator informou que o relatório vai pedir o indiciamento de dez parlamentares, entre deputados federais e estaduais, desembargadores, juízes, secretários estaduais e prefeitos. O deputado explicou que o relatório ainda vai sugerir, entre outras medidas, a duplicação da pena para os traficantes que usem crianças e adolescentes no tráfico e a criação de um grupo especializado na Polícia Federal para identificar pistas de pouso clandestinas.
Entre os resultados obtidos pela CPI, Moroni Torgan citou a comprovação de que o narcotráfico age de forma organizada no País. Ele afirmou que, antes das investigações da CPI, as autoridades policiais não acreditavam em interligação entre as quadrilhas de narcotraficantes. O deputado lembrou que o Brasil é hoje o segundo maior consumidor de cocaína do mundo.
Uma das maiores limitações apontadas pelo deputado durante as investigações foi a quebra de sigilo bancário. Além das dificuldades para se obter as autorizações judiciais, Moroni Torgan explicou que a análise completa dos dados exigiria um tempo muito longo, já que as informações são microfilmadas e seria preciso digitar todos os dados para viabilizar o cruzamento. Ele acredita que a prisão dos comandantes do narcotráfico no País e o combate à lavagem de dinheiro contribuirão para desestruturar as rotas e reduzir a ação do crime organizado no País.
A CPI foi instalada em abril do ano passado e recolheu mais de 2.000 páginas de documentos apresentados pelos sub-relatores, em depoimentos e diligências em 17 estados brasileiros. (CQ)
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