O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, esteve hoje pela manhã na Comissão de Agricultura e Política Rural para fazer um balanço da Rodada do Milênio - reunião dos países membros da Organização Mundial do Comércio realizada no ano passado, nos Estados Unidos. O ministro admitiu que o resultado da Rodada não trouxe avanços nas negociações para a quebra das barreiras comerciais de produtos agrícolas. Mas afirmou que o Brasil continua insistindo nas negociações.
Lampreia acredita que o fim do protecionismo do mercado agrícola ainda está longe. Segundo afirmou, o Governo está empenhado em facilitar a entrada de produtos brasileiros no mercado internacional. Ele informou que o Brasil apresentou recentemente ao Grupo de Países Produtores Agrícolas, que defendem a liberação do comércio internacional, propostas para facilitar o acesso ao mercado, como o corte das altas tarifações, e para acabar com os subsídios de exportação.
Lampreia disse ser óbvio que a comercialização de produtos agrícolas nunca será vista como a dos manufaturados, "mas é preciso um acordo multilateral para quebrar essas barreiras comerciais".
Para Lampreia, a agricultura é a locomotiva da economia brasileira. "O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, mas domina apenas 3% do mercado externo. Para ganhar espaço, precisa vencer as barreiras impostas pelos países desenvolvidos, e a tarefa não tem sido fácil. Há resistência principalmente da União Européia, Japão, Coréia e Suíça, que se recusam a fazer concessões na área agrícola. Mesmo assim, o ministro reafirma a posição do Brasil em negociar e defende o diálogo multilateral.
Os deputados apóiam o posicionamento do Brasil na busca da abertura do mercado externo, mas cobram ação mais efetiva por parte do Governo. Eles sugeriram a criação de adidos agrícolas nas embaixadas, como interlocutores da negociação.
Os parlamentares também querem o apoio do ministro Lampreia para a realização de convênio com a Índia para a importação de embriões de rebanhos bovinos daquele país. Hoje, 85% do rebanho brasileiro é descendente de animais indianos -- e há 40 anos a importação está fechada. O ministro apóia a iniciativa, mas alerta para os problemas fitossanitários da Índia. Para os deputados, não há perigo de contaminação, e a cooperação só vai representar um avanço genético importante para o rebanho brasileiro.
Por Karla Wathier/ Sâmia Mendes/ RCA
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