Audiência pública promovida pela Comissão de Agricultura e Política Rural destacou a cobrança de adicionais de encargos do crédito rural e a prática de o mutuário prestigiar fornecedores previamente habilitados para a liberação do crédito rural. O encontro contou com representantes do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Banco do Brasil, Ministério da Fazenda e da Confederação Nacional da Agricultura.
O Banco do Brasil não tem como norma exigir dos mutuários de crédito rural a compra de equipamentos ou insumos de fornecedores previamente cadastrados mas, a partir da denúncia dessa prática, feita pelo vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura, Carlos Sperotto, o diretor de crédito rural do Banco, Ricardo Conceição, garantiu que providências serão tomadas para que esse procedimento não tenha continuidade e que os responsáveis sejam punidos. O autor do requerimento de audiência pública, deputado Hugo Biehl (PPB-SC), explicou que a reunião foi motivada exatamente pela denúncia dos produtores rurais de que estariam sendo lesados com os encargos dos financiamentos agrícolas. "O agricultor financiado, segundo esses produtores, teria de comprar necessariamente os insumos e equipamentos de determinados fornecedores. Esses fornecedores, por sua vez, para se habilitarem perante o agente financeiro, estariam pagando taxa de até 4%, e ainda com o compromisso de deixar o dinheiro aplicado por algum período nas aplicações diversas do Banco do Brasil".
Pesquisa realizada pela CNA com 5.557 produtores rurais apontou que 66% dos agricultores tiveram seus pedidos de financiamento negados pela instituição financeira, e que 883 mutuários de crédito rural denunciaram problemas na obtenção do financiamento. As denúncias referem-se a 336 agências bancárias, de um total de 23 bancos.
Por Cláudia Lisboa/PR
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