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ZAGALO E LÍDIO TOLEDO FALAM NA CPI DA NIKE

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 20 de novembro de 2000
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Amanhã, a CPI que investiga o contrato entre a CBF e a empresa de material esportivo Nike vai ouvir o técnico Zagalo e os médicos Lídio Toledo e Joaquim da Mata, que integravam a comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa de 1998. Os parlamentares querem saber se houve interferência da Nike, da CBF ou mesmo de alguém de fora da comissão para se escalar ou cortar jogadores na competição. Na quinta-feira, a CPI deverá ouvir o jogador Edmundo, atacante do Santos.

Os deputados da CPI também querem ouvir as explicações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele admitiu recentemente ter aceito as condições da multinacional de realizar três jogos por ano, acreditando que a Seleção Brasileira não precisaria participar das atuais eliminatórias para a Copa de 2002, caso tivesse sido campeã na França. Ricardo Teixeira reconheceu que a entidade errou ao permitir que a Nike controlasse e definisse a agenda da seleção brasileira. Com as olimpíadas em Sidney e as eliminatórias do próximo campeonato mundial, a seleção não pôde realizar os jogos que o contrato obriga. Sendo assim, se a CBF não realizar os amistosos, poderá ser obrigada a devolver R$ 14,5 milhões à Nike.

O contrato CBF-Nike totaliza o valor de aproximadamente R$ 400 milhões, no período de dez anos.

De acordo com o relator da CPI, Sílvio Torres (PSDB-SP), a admissão do erro reforça os trabalhos da Comissão, que tenta esclarecer as condições em que o contrato foi fechado. "Durante todo esse tempo, o que vinha sendo falado por parte da CBF, de João Havelange, e de outras pessoas ligadas à CBF era de que esse contrato era exemplar, que estava beneficiando muito o futebol brasileiro. Com essa "mea culpa" do presidente da CBF, parece que estamos no caminho certo ao investigar todos os detalhes do contrato, para verificar o quanto ele é prejudicial ou benéfico para o futebol brasileiro e para nossa seleção". Ainda de acordo com o relator, outros abusos no contrato deverão vir à tona com o aprofundamento das investigações.

A audiência será às 15 horas, no plenário 7 do anexo II. E às 14 horas, a Comissão realiza reunião extraordinária, reservada para definir a agenda dos trabalhos, também no plenário 7.

Por Mércia Maciel/LC

 

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