A Comissão Externa criada para investigar as circunstâncias da morte do ex-Presidente Juscelino Kubitschek viaja no próximo dia 15 para o Chile, a fim de obter maiores informações sobre a operação Condor. Apoiada pelas ditaduras militares do continente, a operação foi responsável por perseguições e atentados contra opositores aos governos latino-americanos, na década de 70.
O presidente e o relator da Comissão, deputados Paulo Octávio (PFL-DF) e Osmânio Pereira (PMDB-MG), vão seguir um roteiro elaborado pelo embaixador do Chile no Brasil, Carlos Eduardo Mena, com o apoio do Itamaraty.
Já estão agendados encontros com o chefe da Comissão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores chileno, Alejandro Salinas; com a presidenta da Comissão de Direitos Humanos do Congresso Chileno, deputada Isabela Allende, irmã do ex-presidente Salvador Allende; e com a senhora Fabíola Lettelier, viúva do embaixador chileno Orlando Lettelier, que morreu vítima de atentado em Washington, a mando do General Manoel Contreras, chefe da Polícia Secreta chilena.
Os parlamentares também esperam entrevistar Contreras, que está preso no Chile, mas ainda não obtiveram confirmação da visita. A expectativa de Paulo Octávio é de que o general concorde com o encontro, tendo em vista que ele já foi entrevistado por jornalista americano.
Segundo carta enviada por Contreras, suposto cabeça da operação Condor, ao então chefe do Serviço Nacional de Informações, general João Figueiredo, em 1975, o embaixador Lettelier e o ex-presidente JK representariam "ameaças" aos governos da época.
Por Regina Céli Assumpção/ CQ
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