Após cinco dias de audiências públicas em quatro capitais do País, a Caravana Nacional da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara conclui que quem mais viola os direitos humanos dos policiais são as instituições. Segundo o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), integrante da caravana e coronel da polícia militar, as próprias corporações são as maiores agressoras dos direitos humanos dos policiais. "Por incrível que pareça. São as próprias corporações, através dos regulamentos ultrapassados, e também o próprio Estado, que se omitem quando não modernizam aqueles instrumentos de controle de conduta, fazendo com que o nosso policial cada vez mais se sinta tolhido na sua forma de ser, no seu comportamento social. Os regulamentos datam de 1940, isso provoca uma certa revolta no público interno".
Desde o dia 3, a caravana está investigando o desrespeito aos direitos humanos dos policiais militares e civis no exercício de sua profissão. O deputado Alberto Fraga cita como exemplo da sua conclusão o caso do cabo da Aeronáutica do Rio de Janeiro, Nazareno Vargas, torturado dentro do próprio comando.
Mas outro fato chamou a sua atenção no Rio de Janeiro. A omissão do número de policiais assassinados no Estado. Segundo ele, além do comandante da PM não ter levado dados, o diretor da Polícia Civil e representantes dos policiais não compareceram à audiência. "Isso significa que há má vontade. Que os policiais estão sendo mortos, assassinados e que o Governo não está preocupado com isso. Não quer se pronunciar e fica mascarando os números, enganando a sociedade. Isso é gravíssimo e muito perigoso".
Em São Paulo, a caravana apurou que a cada quatro mil policiais, um comete suicídio, enquanto a média mundial é de um para cada dez mil. A caravana dos direitos humanos esteve ainda em Teresina e em Belo Horizonte. Nesta tarde a caravana está em Porto Alegre. E encerra seus trabalhos no próximo dia 14, na Câmara dos Deputados, ouvindo as policias do Distrito Federal.
Por Márcia Brandão/ RCA
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