O passe de um jogador com passaporte estrangeiro pode ser valorizado em mais de 200% se vier de um país da Comunidade Européia. Isso ocorre porque, tendo o passaporte comunitário, o jogador fica fora do limite imposto a estrangeiros.
No caso do atacante Jeda, o passe como estrangeiro seria de 300 mil dólares, mas como o presidente do União São João, José Mário Pavan e o ex-jogador Careca assinaram um documento declarando que ele teria passaporte comunitário, o valor subiu para um milhão de dólares. Pavan alegou que assinou o documento por ter confiado na palavra de Edmar, sócio de Careca, de que ele seria descendente de portugueses.
Pavan confirmou ter recebido 600 mil dólares do time italiano Vicenza pelo passe de Jeda, e que a Careca, que intermediou a negociação, couberam 400 mil dólares, em duas parcelas, sendo a primeira de 250 mil.
Pavan disse à CPI que Careca deve ter recebido o dinheiro, e que a prova disso era uma carta de fiança bancária, no valor da primeira parcela, a ser resgatada por Careca em 31 de outubro. O relator da CPI da Nike, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), declarou que a Comissão terá que checar as contradições e, se necessário, reinquirir os depoentes.
"Acredito que o mais importante é essa discrepância entre o depoimento do Careca e do presidente Pavan. O Careca disse que não havia recebido ainda nenhum recurso, nenhum real proveniente da venda do jogador Jeda e, por outro lado, o próprio Pavan disse que ele havia recebido 250 mil dólares, que ele tomou conhecimento disso lá na Itália".
No próximo dia 12, a CPI da Nike vai ouvir o ex-técnico da seleção brasileira, Vanderlei Luxemburgo.
Por Cláudia Lisboa/PR
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