Dos 127 funcionários terceirizados da Câmara dos deputados e do Senado Federal que participaram do projeto Volta aos Estudos, de alfabetização de adultos, 83 viajam amanhã, às 8 horas, para o Rio Grande do Sul, para participar de uma série de atividades culturais e pedagógicas promovidas pelo Geempa, Organização Não-Governamental responsável pela elaboração do projeto. Eles viajam de avião e voltam de ônibus, no domingo à tarde. O passeio será custeado pela Câmara, Unicef e pelas empresas terceirizadas que prestam serviços ao Congresso.
Durante a programação, os alunos terão a oportunidade de conhecer as cidades de Gramado e Canelas, além de visitar pontos turísticos de Porto Alegre, onde se encontrarão com as turmas do curso de Horizontina, Viamão e Canoas. O passeio envolverá os funcionários terceirizados, os quatro professores cedidos pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e os parlamentares membros da Subcomissão Permanente de Educação de Jovens e Adultos da Câmara, da qual a deputada Esther Grossi (PT-RS) é presidente. "O objetivo é fazer com que estes alunos, antes marginalizados, sejam efetivamente integradas no convívio social, por meio da participação na vida cultural da cidade, e conheçam outras pessoas que se encontravam na mesma situação de isolamento e que agora conseguem ler e escrever".
De acordo com a deputada, o destaque do projeto é justamente o aproveitamento de praticamente 100%, quando as demais experiências desenvolvidas no País não chegam a 20%. No Volta aos Estudos a evasão é zero, o custo por aluno é de R$ 200, e o tempo de conclusão são três meses. Nos outros cursos de alfabetização analisados pela Subcomissão, a evasão é alta, a média de tempo é de seis meses a um ano, e o custo por aluno é muito maior. O objetivo final, segundo ela, é inserir os alunos na rede pública de Educação para que não percam o interesse pelo conhecimento. "Os alunos mantêm o interesse porque o curso mescla as aulas normais, três vezes por semana, com visitas a cinema, teatro, exposições e viagens. Dos 128 inscritos, somente um desistiu", relatou a parlamentar, com quem concorda o professor Humberto Brasiliense Filho. "O esforço foi geral. Os parlamentares, membros da Subcomissão, participavam todas as quartas-feiras, trazendo de seu estado uma comida típica para degustarmos e discutirmos seu significado cultural e regional. Era a chamada Merenda Pedagógica, outro recurso para manter o interesse dos alunos".
Esther Grossi acrescentou que os alunos poderão continuar os estudos pela rede pública do Distrito Federal e, em breve, a Subcomissão promoverá cursos para treinar professores pelo método geempiano de alfabetização de adultos.
Por Cláudia Lisboa e Patrícia Araújo/ RCA
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