A Comissão de Direitos Humanos conclui que policiais não são reconhecidos como cidadãos. Revolta e abandono foram os sentimentos que marcaram os depoimentos na última audiência pública da Caravana de Direitos Humanos que investigou, em seis capitais, violações aos direitos humanos dos policiais militares e civis no exercício de sua profissão.
Hoje, a vez foi dos policiais do Distrito Federal, onde existem 200 policiais militares que se tornaram deficientes físicos quando exerciam seu trabalho e, num período de dois anos antes da aposentadoria, tiveram seus salários reduzidos em 70%. É o caso do soldado Leomar Ferreira de Souza, baleado durante uma ronda quando tinha apenas 23 anos e hoje vive numa cadeira de rodas.
Dentro da corporação, o policial não sabe o que é cidadania. Foi o que denunciou o sargento Erli Alves, do Batalhão de Operações Especiais, o Bope. "A principal dificuldade é o policial não ter sua cidadania reconhecida dentro do seu ambiente de serviço e logicamente por isso ele tem dificuldade de reconhecer a cidadania no cidadão que passa na rua".
O deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), coronel da policia militar e membro da caravana, acusa que "o maior violador dos direitos humanos dos policiais é a própria instituição".
O presidente da CDH, deputado Marcos Rolim (PT-RS), após ouvir muitos policiais nos seis estados, conclui que é preciso considerar os policiais na sua condição de seres humanos e cidadãos. "Ainda hoje, via de regra, eles não são respeitados no interior de suas próprias corporações nos seus direitos mais elementares de cidadania. Especialmente no caso das policiais militares isso é muito agravado pela existência de regimentos disciplinares que são muito rigorosos e mais do que isso abrem a possibilidade de posturas arbitrárias, abusivas por parte de oficiais".
A terceira Caravana percorreu os Estados do Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul desde o dia 3 deste mês. E vai elaborar um relatório com todas as denúncias e sugestões ao Ministério da Justiça e governos estaduais, como a modernização dos regulamentos policiais e o atendimento à saúde.
Por Márcia Brandão/ RCA
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