A Câmara do Deputados fez ontem uma viagem no tempo e relembrou um período negro para a democracia brasileira: 13 de dezembro de 1968. Nesse dia, o presidente da República, marechal Arthur da Costa e Silva, assinou no Palácio das Laranjeiras (RJ) o Ato Institucional nº 5. O Congresso foi fechado e diversos parlamentares tiveram seus mandatos cassados. Os meios de comunicação, a arte e a cultura passaram a trabalhar sob a mira de uma rigorosa censura que durou quase dez anos.
No dia que antecedeu a edição do AI-5, o Congresso Nacional negou a licença para processar o deputado federal Márcio Moreira Alves. Essa sessão histórica foi reconstituída no documentário "O Dia Que Não Existiu", produzido em parceria pela TV Câmara e TV Cultura. O filme conta a história do estranho desaparecimento dos registros daquela sessão legislativa.
Um trecho do documentário foi exibido no evento "O Sacrifício que a Nação não merecia", realizado no Salão Negro da Câmara, que lembrou os 32 anos do AI-5.
Na solenidade, o ministro Paulo Afonso Martins de Oliveira, que na época era secretário geral da Mesa, lançou o livro "Atos Institucionais - Sanções Políticas", que reúne os nomes de mais de 4.800 pessoas atingidas pelo golpe militar de 1964.
O presidente da Câmara, Michel Temer, participou do evento, acompanhado do secretário geral da presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, do ministro da Saúde, José Serra, e de vários deputados que perderam seus direitos políticos na ditadura militar.
Por Carmem Fortes/LC
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