A CPI da Nike ouviu hoje o menor Fábio Faria dos Santos, que foi trazido da Bélgica pelo deputado Eduardo Campos (PSB-PE). O atleta prestou depoimento na qualidade de testemunha do esquema de envio de menores para o exterior. A família de Fábio teria desembolsado mais de R$ 7 mil para pagar a passagem, o passaporte falso e ajuda de custos para o menor.
O atleta contou aos deputados que foi levado para aquele país pelo empresário Expedito Júnior da Silva, conhecido por Ted Júnior, com a promessa de que, em 15 dias, seria negociado com um clube da primeira divisão e ganharia salário de gente grande.
Oito meses depois, Fábio não jogou em nenhum time e foi abandonado pelo empresário após uma contusão. Segundo o jogador, só não passou fome porque foi acolhido por uma família de brasileiros. Para o jovem atleta, da frustada experiência, ficou a lição. "Foi uma experiência tremenda que eu espero não que não se repita. Quero também que outras crianças e jovens como eu não caiam em uma armadilha como essa".
O deputado Eduardo Campos citou vários nomes de agentes que levam menores de idade para jogar em campos europeus. Ele disse que um passaporte português falsificado custa dois mil dólares e que vários meninos como o Fábio passam por dificuldades na Bélgica.
Para o presidente da CPI, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), as declarações do jogador reforçaram as suspeitas de que há tráfico de menores para o exterior e a exploração do trabalhos desses jovens. "O depoimento evidencia que há no Brasil uma operação criminosa de transferência de menores para o exterior, principalmente para a Europa, e a isso só pode se dar o nome de tráfico de menores. Essa investigação deve esclarecer completamente os responsáveis por essa operação".
Os deputados suspeitam também do envolvimento de funcionários da Embaixada do Brasil na Bélgica. Segundo o deputado Eduardo Campos, o tráfico entre os dois países está preocupando as autoridades belgas, que estudam a criação de uma legislação para coibir a transferência de menores para aquele País.
Os deputados da CPI vão propor a convocação do ministro das Relações Exteriores e do diretor da Polícia Federal. Eles querem saber porque não há uma fiscalização mais rígida para dificultar a saída de menores para jogar fora do País. O ministro deve explicar porque os consulados brasileiros não investigam o grande volume de segunda via de passaportes emitidos para jogadores. O deputado Eduardo Campos suspeita de envolvimento de funcionários dos consulados brasileiros".
Por Mércia Maciel e Cláuder Diniz/PR
Agência Câmara
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "CPI QUER INVESTIGAR EMBAIXADA DO BRASIL NA BÉLGICA"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.