A cada hora, morrem duas mulheres no Brasil por problemas durante o parto. E 90% destes casos poderiam ser facilmente evitados, de acordo com o presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Edmundo Baracat.
De acordo com os últimos dados da Unicef e da Organização Mundial de Saúde, morrem 525 mil mulheres por ano no mundo, em decorrência de problemas no parto. No Brasil, são quase 6 mil mulheres por ano. Baracat afirma que o Brasil tem o mais alto índice de Mortalidade Materna entre os países do América Latina. Para cada 100 mil bebês nascidos vivos, morrem 19 mães no Uruguai, 25 no Chile, 44 na Argentina, 48 no México, e de 80 a 140 no Brasil. Nesse quesito, só perdemos para a Bolívia.
Segundo o médico, as medidas necessárias para reduzir a mortalidade materna são muitas: "melhorar a educação, as condições sócios-culturais, nutricionais e melhorar o serviço de saúde em geral. Oferecer planejamento familiar, melhorar assistência pré-natal, são coisas que o Governo está tentando fazer, mas é muito difícil melhorar os hospitais, as maternidades que existem, o grau de educação dos profissionais na área de saúde".
De acordo com a presidente da CPI da Mortalidade Materna, deputada Fátima Pelaes (PSDB-AP), o trabalho da Comissão vai permitir que se conheça a verdadeira extensão do problema. "Cada instituição que vem aqui traz um dado diferente sobre a mortalidade materna. Esta CPI vai garantir que nós possamos ter um quadro real dessas mulheres que morrem e de mortes que poderiam ser evitadas".
Acatando proposta da deputada Fátima Pelaes, a CPI vai continuar funcionando durante o recesso parlamentar. A pauta dos trabalhos será definida na primeira semana de janeiro.
Por Ariane Farias/PR
Agência Câmara
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