Durante o depoimento à Comissão Mista de Controle Externo da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), realizado ontem, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, admitiu que investigações ilegais, ou seja, sem a autorização do órgão, possam estar sendo feitas por ex-agentes e atuais funcionários da ABIN.A informação foi dada pelo líder do Governo no Congresso, Arthur Virgílio Neto e pela senadora do PT Heloísa Helena, numa entrevista coletiva realizada após o depoimento do general.
Segundo eles, na audiência secreta, o general Cardoso comunicou a demissão do diretor geral da ABIN, coronel Ariel de Cunto. O motivo foi a nomeação do ex-tenente do exército Carlos Alberto Del Menezzi, acusado de participar de sessões de tortura durante o regime militar, para um cargo de confiança na Agência, o de diretor do Departamento de Organização Criminal. O general Cardoso afirmou que não tinha conhecimento de que Menezzi era um ex-torturador.
Na reunião, os parlamentares pediram ao general um levantamento detalhado do quadro de funcionário da ABIN, incluindo os nomes dos ex-funcionários do antigo Serviço Nacional de Inteligência (SNI)e dos cargos comissionados, e um relatório completo do primeiro ano de atividade da Agência. A Comissão quer ter um melhor controle das atividades da Agência.
Arthur Vírgilo não acredita que o fato de o general desconhecer a contratação pela ABIN do ex-tenente Menezzi demonstre descontrole sobre as atividades da agência. O líder do Governo enfatizou que a maior preocupação é que estes fatos abalem a estrutura de um órgão vital para o país. "Para mim, o mais preocupante é nós não termos nenhuma agência e o estado brasileiro fique desguarnecido. Preocupante é se nós não tomarmos conta da agência permitindo que ela vire um 'monstro amanhã' ", desabafou o líder do Governo, falando da necessidade do Congresso de criar mecanismos de controle da agência.
Na próxima quinta-feira está prevista a visita dos integrantes da Comissão à Agência Brasileira de Investigação, no Rio de Janeiro.
Por Carmem Fortes/LC
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