Rio de Janeiro - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje (8) que não ficou surpreso com absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura (Bida), acusado de ser o mandante do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang.
“Isso faz parte de longas experiências do tribunal do júri, e eu sei muito bem que essas coisas acontecem. Faz parte das instituições democráticas”, afirmou Jobim.
Questionado sobre o caso, por sua experiência profissional da área de Direito, o ministro preferiu não fazer comentários. “Não conheço o processo, não compete a mim emitir opinião. Seja como advogado e juiz que já fui, sei muito bem que as decisões tomadas pelos tribunais são em cima do processo. E cabe ao sistema judiciário brasileiro decidir".
Por cinco votos a dois, Vitalmiro Bastos de Moura foi absolvido terça-feira (6), no segundo julgamento a que respondeu, na 2ª Vara do Júri de Belém. O advogado Eduardo Imbiriba, que defendeu o fazendeiro, pediu a absolvição do acusado sustentando a tese de negativa de mando do crime.
Em nota divulgada ontem (7), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou de “muito ruim” o aceno dado pelo Poder Judiciário com a absolvição do fazendeiro. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos também criticou a absolvição em nota assinada pelo ministro Paulo Vannuchi.
Norte-americana naturalizada brasileira, a misssionária Dorothy Stang foi morta a tiros, há três anos, no município paraense de Anapu. Ela trabalhava com a Pastoral da Terra e atuava em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Por: Aline Beckstein
Repórter da Agência Brasil
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