Brasília - O Conselho Indígena de Roraima (CIR) anunciou hoje (8) que 13 mil alunos de escolas indígenas de todo o estado vão se ausentar das aulas por tempo indeterminado em repúdio ao atentado sofrido por membros da comunidade na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
A medida também é uma reação à posição do governador José de Anchieta Júnior, que classificou o fato de índios terem entrado na propriedade do arrozeiro Paulo César Quartiero como terrorismo, prática que os indígenas atribuem aos rizicultores.
“Temos conversado com as lideranças e eles acham mais importante tirar os terroristas [os não-índios] de lá. O estudo depois tem como repor, mas não dá para ficar indo à escola com esse clima, essa insegurança”, afirmou à Agência Brasil o coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza, quando questionado se a medida não implicaria em prejuízos significativos para as próprias comunidades.
A tensão permanece em Roraima com os moradores da Raposa Serra do Sol e autoridades do estado à espera do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de ações que questionam a demarcação da reserva em área contínua. A corte deve decidir em no máximo três semanas se os não-índios que possuem terras na área de 1,7 milhão de hectares poderão ou não permanecer lá.
Por: Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
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