Brasília - Uma ferramenta lançada oficialmente hoje (12) por representantes do governo e da iniciativa privada pretende aperfeiçoar a contabilidade das emissões de gases de efeito estufa por empresas, além de medir mais precisamente a contribuição do setor para a emissão de gases, como o dióxido de carbono (CO2), considerado um dos causadores do aquecimento global.
O Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa vai adotar a metodologia do Protocolo GHG, usada como referência para o mercado de carbono europeu, por exemplo. O objetivo, segundo os gestores da ferramenta, é calcular e inventariar as emissões de gases estufa produzidas pelas empresas para subsidiar medidas de mitigação.
"Na prática, há uma tabela e é necessário preencher uma série de dados a partir da medição de um número grande de indicadores de gases. É uma metodologia relativamente simples e que fornece, ao final, quantas toneladas de gás de aquecimento global a empresa está lançando na atmosfera. E isso já começa a indicar o que é possível fazer para evitar essas emissões", detalha o presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Fernando Almeida, que apresentará a ferramenta a grupos de empresários brasileiros nos próximos dias. Empresas como a Petrobras, o Grupo Votorantim e as siderúrgicas Arcelor e Alcoa já utilizam a metodologia. De acordo com o gerente de Desempenho em Segurança e Meio Ambiente da Petrobras, Luis Stano, a estatal investiu cerca de US$ 6 milhões para implementar a ferramenta.
"As empresas só conseguem gerenciar as emissões que são medidas. Quando você cria um inventário de emissões é possível conhecer os pontos onde existem as melhores oportunidades de investimentos para contribuir para mitigar o problema da mudança climática global", afirma Stano.
Na avaliação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a iniciativa "responde a uma equação muito importante, que é o comprometimento das empresas em reduzir emissões" e deveria ser replicada para gerenciar emissões de outros setores, como o agropecuário.
"A iniciativa do protocolo é oportuna e mostra que não se pode ficar esperando o plano e a política [Nacional sobre Mudança do Clima] saírem para começar a agir. A humanidade está vivendo o grande desafio de 'descarbonizar' as grandes economias. Não podemos permitir a carbonização das emergentes, como Brasil e México, por exemplo."
Os mecanismos do protocolo de inventário corporativo poderão ser utilizados por outros emissores de gases de efeito estufa, inclusive a agropecuária e o setor público, informou o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Ruy de Góes.
Por: Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
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