Brasília - O superintendente da Polícia Federal em Minas, David Salem, disse hoje em Brasília que os deputados federais João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG), com bases eleitorais na região Leste e na Zona da Mata de Minas Gerais, são investigados na Operação João de Barro pelo possível envolvimento na prática de pelo menos três crimes: corrupção passiva, concussão (extorsão cometida por funcionário público) e tráfico de influência.
Salem também explicou porque a PF ainda não pediu prisão preventiva dos parlamentares: "Tem uma razão de ordem técnica. A lei diz que deputado federal só pode ser preso em flagrante de crime inafiançável. E os possíveis delitos cometidos por eles [Magalhães e Camilo] não admitem situação de flagrância", esclareceu.
A Operação João de Barro investiga o superfaturamento de obras em prefeituras de Minas Gerais, parte delas integrantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O esquema funcionava, segundo a PF, a partir da destinação para os municípios de recursos provenientes de emendas parlamentares ou de convênios com instituições bancárias oficiais - Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Empresários e lobistas se articulavam para vencer as licitações e posteriormente executavam a obra em qualidade inferior à estabelecida no projeto, o que viabilizava a sobra dos recursos a ser desviada.
Hoje pela manhã, agentes da PF fizeram ações de busca e apreensão de documentos nos gabinetes dos dois deputados mineiros. "A busca serve para encontramos mais elementos e amanhã podermos, de modo mais firme, levar isso para uma ação penal", explicou Salem. Se a PF pedir, de fato, o indiciamento dos parlamentares, caberá à Procuradoria Geral da República denunciá-los ou não, perante o Supremo Tribunal Federal.
Por: Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
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