Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou hoje (19) que o governo pretenda aumentar novamente o superávit primário (economia de recursos para pagar os juros da dívida pública) e anunciar novas medidas de restrição ao crédito para tentar evitar que a inflação ultrapasse a margem de tolerância da meta determinada pelo governo.
Segundo Mantega, o país está demonstrando resistência diante da alta mundial dos alimentos, do petróleo e de alguns minérios. Ele afirmou que, em reunião da equipe econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e economistas de fora do governo, realizada hoje pela manhã, não foi constatada a necessidade de ações adicionais porque a economia não está em crise e a inflação está sob controle.
Para o ministro, o aumento de 3,8% para 4,3% no superávit primário, anunciado no final de maio, e o reajuste da taxa básica de juros em um ponto percentual pelo Banco Central são suficientes para lidar com a situação atual da economia. Ele afirmou que o reajuste do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito às pessoas físicas e o compulsório para as operações de leasing estão contendo a expansão do crédito.
Na avaliação do ministro, as ações já tomadas pelo governo estão atenuando o crescimento da demanda, sem comprometer o crescimento da economia, que deve ser de 5% neste ano, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), contra 5,4% em 2007. "Queremos desacelerar a demanda, não derrubá-la", declarou Mantega em entrevista coletiva. "O governo está conseguindo combater a inflação e garantir o crescimento ao mesmo tempo."
Citando as projeções de analistas de mercado pesquisados semanalmente pelo Banco Central, no Boletim Focus, Mantega disse que a inflação em 2008 não deverá estourar a margem de tolerância de dois pontos percentuais em relação aos 4,5% da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Os analistas de mercado acreditam que a inflação vá encerrar o ano entre 5,6% e 6%. Seremos vitoriosos porque somos um dos poucos países que não vai ultrapassar a meta de inflação", destacou.
Nos casos mais necessários, ressaltou o ministro, o governo tomou atitudes pontuais para segurar a alta de preços. Ele citou as medidas de desoneração, como a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a gasolina e o diesel, bem como do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) para o pão e a farinha.
O ministro confirmou ainda que o governo pretende aumentar a produção agrícola para tirar proveito da crise mundial dos alimentos e conter a alta nos preços internos. As medidas, segundo ele, serão anunciadas no Plano Safra, que será lançado no dia 2, conforme já havia anunciado o ministro da Agricultura, Reinhold Stephnes no início da semana, depois de uma reunião com Mantega. "O Brasil é menos castigado pela crise mundial nos alimentos porque é grande produtor. Esse é um problema bom para nós porque vamos dar condições para aumentar produção", afirmou o ministro da Fazenda.
Por: Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
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