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Economista afasta risco de reindexação com aumento de preços

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 10 de junho de 2008
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Brasília - O economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Luiz Roberto Cunha, avalia que não há riscos de reindexação da economia com o aumento da inflação. Para ele, a iniciativa do governo de elevar as taxas de juros e as metas de superávit fiscal devem manter a inflação sobre controle.

Cunha acredita que, mesmo que ocorra uma depreciação da taxa de câmbio para algo como R$1,70 a R$ 1,80, o impacto sobre o aumento dos preços internos seriam mínimos. O Brasil pode crescer o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto(PIB), com o atual comportamento da demanda e dos preços.

"Esse conjunto de medidas deve ajudar na formação das expectativas da inflação do ano de 2009. É possível que haja alguma moderação na alta de alimentos, porque o mundo está começando a reduzir também a sua taxa de crescimento de forma global", disse o economista.

Para ele, economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, que vinham reduzindo a taxa de juros, já sinalizam com aumento, o que deve ajudar a diminuir a demanda mundial por alimentos. Segundo Cunha, a inflação de 2008 já está estabelecida, uma vez que as medidas de elevação de juros e a redução de gastos públicos levam cerca de seis meses para produzir efeitos sobre os preços e a demanda agregada.

Embora a maior parte da pressão sobre os preços dos alimentos decorra de um aumento de consumo no mercado internacional, Cunha reconhece que há um componente local cujos efeitos recaem sobre a população mais pobre do Brasil.

"Quanto mais baixo o nível de renda, mais você gasta com alimentos. É claro que o nível de renda é muito baixo hoje no Brasil, mas você tem programas de transferência de renda que são bastante eficientes e ajudam a compensar o impacto da inflação", observou.

Mesmo com a elevação dos preços, o nível da indexação da economia brasileira é muito baixo e não há sinais de que possa realimentar a inflação. "Agora existe uma preocupação no mundo inteiro, principalmente em países emergentes, de que a inflação mais alta, com economias aquecidas, possa levar a reivindicações de aumentos salariais e de repasse aos preços", lembrou o economista.

Cunha enfatizou, ainda, que inflação alta traz sempre preocupação, mas o Brasil está com uma economia sólida, muito distante de um processo de reindexação, embora ainda existam no país alguns contratos indexados, como os de aluguéis.

Ele citou que houve elevação das taxas de condomínio, provocada pelo aumento das tarifas de água, de energia e da mão-de-obra. Esses aumentos, no entanto, acabaram neutralizados pela queda nos preços dos aluguéis.

Cunha disse que a política monetária do Banco Central de elevação das taxas de juros " é um instrumento muito duro". Mas lembrou que o governo deu sinais de apoio na área fiscal com elevação do superávit primário, o que deve ajudar a controlar a demanda agregada econômica.

"É importante lembrar que, para o Brasil crescer 5%, de forma sustentada, já é um sucesso; dado a estrutura de carga tributária alta, do juro real elevado e dos desequilíbrios estruturais na área da previdência social", concluiu.

Por: Ivanir José Bortot

Repórter da Agência Brasil

 

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