Brasília - A saída do ministro Walfrido dos Mares Guia da Secretaria de Relações Institucionais não afeta as votações no Congresso. A avaliação é do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele destacou, nesse quadro, a votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
“Não é um prejuízo porque não afeta a votação”, disse. “No placar de votação, a situação continua do mesmo jeito, com o governo construindo maioria para votar a CPMF no momento apropriado."
Sobre o sucessor de Mares Guia, o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), Jucá comentou que ele participa do colégio de líderes e tem uma boa relação com o Senado. “Vai fazer um trabalho extremamente construtivo."
Diante da pergunta de se Múcio conseguirá chancelar as negociações que vinham sendo conduzidas pelo antecessor, o líder avaliou que “os compromissos assumidos pelo ministro Mares Guia são do governo e não do ministro, e, portanto, todos os compromissos assumidos pela coordenação política serão mantidos”. Ele concluiu: “O governo não foi trocado, a direção não foi trocada, a coordenação política não foi trocada, e portanto nós vamos continuara a trabalhar da mesma forma.”
Já na avaliação do senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB, o governo terá que “trocar o pneu com o carro andando”, com a mudança. “A necessidade dele [Mares Guia] de se afastar por causa da denúncia que o envolve acaba por dificultar e fragilizar ainda mais a situação do governo no Senado”, opinou, ressaltando que a situação da CPMF já estava difícil.
Sobre José Múcio Monteiro, ele comentou que “tem trânsito no Senado, mas o Walfrido já estava com todo o conhecimento das negociações estabelecidas”. “Agora, teremos que colaborar com o Múcio para que ele possa rapidamente assumir as funções e, no mesmo nível, com o mesmo conhecimento, desenvolvido por Mares Guia.”
No dizer do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), a saída do ministro representa “uma atitude do governo Lula”: “Qualquer servidor deste governo, por mais que tenha contribuído com o país e o governo, se for objeto de denúncia do Ministério Público, deve se afastar da função até que seja julgado pelo STF [Supremo tribunal Federal]”.
“Lamentamos que uma denúncia que atinge o PSDB de Minas Gerais tenha atingido também um ministro do governo Lula, num momento delicado”, comentou Mercadante.
Ele disse que os argumentos para votar a CPMF são “muito consistentes”. “O país não pode perder 85% da verba que financia todas as cirurgias e internações; o país não pode perder recursos que financiam o Bolsa Família; não pode reduzir os recursos para a saúde em 2008”, argumentou.
Por: Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
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