Brasília - A denúncia entregue ontem (21) pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF) procura reconstituir o surgimento da empresa SMP&B Comunicação Ltda., envolvida no esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o documento, financiou a campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas Gerais em 1998. De acordo com a denúncia, a firma se voltava prioritariamente à lavagem de dinheiro.
"Eles estruturaram uma empresa que, sob o manto formal de atuação na área de comunicação e publicidade, representava de fato uma empresa voltada principalmente para o ramo de lavagem de ativos financeiros", diz um trecho da denúncia do procurador-geral da República.
A SMP&B, cujos sócios atuais são os empresários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach (50% das ações, segundo a denúncia), Clésio Andrade (40%) e Marcos Valério de Souza (10%), pertencia em 1996 apenas aos sócios Cristiano e Ramon, e passava por dificuldades financeiras. Marcos Valério teria sido contratado pelos dois para conseguir o ingresso de um novo sócio a fim de retomar o crescimento do negócio.
Segundo a denúncia, após uma primeira recusa, devido à dívida da empresa (que chegava a R$ 12 milhões), Clésio Andrade decidiu entrar como sócio na empresa, incorporando capital no valor de R$ 1,5 milhão e exigindo a entrada de Marcos Valério para gerir financeiramente a sociedade, de acordo com a restituição.
A denúncia da Procuradoria Geral afirma que Marcos Valério “nunca foi e não é do ramo publicitário ou de comunicação, era um especialista na área financeira”. Segundo o texto, Valério optou por desenvolver suas atividades na área de publicidade pela "facilidade apresentada em tal setor para fraudar a execução de contratos e desviar recursos públicos".
Em 1998, teria começado o esquema de desvio e lavagem de dinheiro, que custou, segundo a denúncia, pelo menos R$ 3,5 milhões ao estado de Minas Gerais. "Em outras palavras, Clésio Andrade ofereceu os serviços delituosos de sua estrutura empresarial para a prática dos crimes de peculato, bem como lavagem de capitais", diz um trecho.
Advogados de Marcos Valério de Souza e de seus sócios contestam o documento elaborado por Antonio Fernando Souza. Entre outros pontos, questionam a ligação ao caso que ficou conhecido como mensalão e a acusação de lavagem de dinheiro por meio de eventos esportivos. Os três sócios da SMPB já respondem, com outras 37 pessoas, a ação penal aberta pelo STF, em agosto deste ano, contra os acusados do mensalão.
Por: Irene Lôbo e Mylena Fiori
Repórteres da Agência Brasil
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