Brasília - Em audiência de mais de quatro horas na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ouviu reivindicações de deputados que defendem uma posição mais enérgica da pasta nas questões do campo.
Parlamentar da bancada ruralista, Ronaldo Caiado (DEM-GO) apresentou uma série de denúncias sobre a situação no Sul do Pará.
Segundo ele, 160 fazendas foram ocupadas por grupos que "se travestem de movimentos sociais" para estabelecer uma espécie de “estado paralelo” na região.
Ele classificou-os de “bandidos, traficantes e pistoleiros” durante a apresentação na comissão, na qual usou fotografias e vídeos para mostrar o que defendia.
Caiado também acusou a governadora do estado, Ana Júlia, de ser conivente com as ações de grupos aos quais chamou de "milícias".
“No Pará, não existe Estado democrático de direito. O governo proibiu a atuação policial nas áreas ocupadas”, disse, acrescentando que a medida consta de uma resolução do diretor de Polícia do Interior, o delegado Miguel Cunha Filho.
O deputado apresentou uma fotografia do documento para mostrar o que afirmava.
Caiado disse, ainda, que os grupos são equipados com armas de grosso calibre, fornecidas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
"Uma triste radiografia que pude aqui expôr. Invasões, saques, mortes, destruição e rastros de destruição que caminham não só no Sul do Pará, mas em vários estados do Brasil, comandados por esses movimentos ditos sociais, que, na verdade, são treinados pelas Farc e pelo Sendero Luminoso [grupo guerrilheiro do Peru, cuja atuação ocorreu, principalmente, nas décadas de 70 e 80]".
Ainda segundo o deputado, os grupos seriam responsáveis, este ano, por um prejuízo de R$100 milhões aos fazendeiros da região, provocado, principalmente, pela "matança" de 100 mil cabeças de gado. Os grupos também teriam destruído, de acordo com Caiado, 250 mil hectares de áreas ambientais protegidas.
A presidente do Sindicato Rural de Redença (PA), Rosângela Hanemann, reiterou as denúncias.
"São pessoas com ideologias, que querem que o latifúndio seja destruído. Não temos só grandes latifúndios sendo invadidos, temos, inclusive, representantes de uma associação de um assentamento que estão sendo ameaçados, extorquidos e invadidos".
Ao final da audiência, o ministro disse que a segurança pública em geral é de responsabilidade dos estados, cabendo a eles o cumprimento da lei, a proteção e o combate ao crime.
"Quando a segurança se torna uma questão mais complexa, que envolve questões nacionais, crime ramificado nacional ou internacionalmente, comoção social em que a autoridade local precise da presença da União, essa presença será efetivada".
Tarso acrescentou que a Polícia Federal (PF) já está atuando no estado. "E vai aprofundar suas operações lá".
Questionado sobre a falta de visibilidade dessas ações, o ministro esclareceu que elas não aparecem porque fazem parte do serviço de inteligência da Polícia Federal.
“[As ações] demoram um pouco. Não há mais aquele inquérito policial de parte da PF, onde você prendia uma pessoa, batia nela e ela dava o roteiro da investigação através da violência”.
Por: Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Deputado ruralista apresenta denúncias sobre supostas atuações de milícias no Pará"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.