Brasília - O terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve retornar à pauta política em 2008, quando chegar ao Senado o Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul.
A avaliação é do líder do PSB, Renato Casagrande (ES), segundo quem, "os freqüentes elogios" de Lula ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, serão usados para vincular um assunto ao outro.
"Essa será a discussão do terceiro mandato de Lula. Como o Lula fica elogiando o Chávez com freqüência, a oposição vai explorar esse assunto ao máximo e esticar a corda".
Segundo ele, a tramitação do protocolo no Senado não terá as facilidades encontradas na Câmara dos Deputados, que hoje (21) aprovou a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). "Aqui a estrada é mais esburacada".
Para o líder do PDT, Jefferson Péres (AM), os senadores ainda estão envolvidos com as recentes críticas feitas por Chávez ao Senado brasileiro.
Em julho, o presidente da Venezuela estabeleceu um prazo de três meses para o Parlamento brasileiro votar e aprovar o protocolo de adesão, caso contrário, desistiria do ingresso no Mercosul.
"Aqui há muita resistência. Há restrições e medo quanto a política populista praticada por Hugo Chávez", afirmou o pedetista.
Para ele, o Itamaraty tem a avaliação equivocada de que, uma vez no Mercosul, o governo venezuelano teria que se adequar às condições impostas pelo bloco, dentre elas, a de garantia do Estado democrático.
"Ao contrário, acho que se o Chávez levar um tranco do Brasil, mostrando que não é bem vindo [ao Mercosul] por conta de seus métodos, aí sim ele pode se adequar", avalia Péres.
O líder do Democratas, José Agripino Maia (RN), aposta na rejeição, pelo Senado, da proposta de adesão da Venezuela ao bloco. Ele afirma ter "razões de ordem argumentativas" para acreditar que a matéria não passará.
Um dos argumentos seria o de que, uma vez integrante do mercado comum, o presidente Hugo Chávez lutaria para ser "um membro proeminente", politizando o debate interno.
"Isso prejudicaria as relações do Mercosul com a União Européia, Japão, Índia e outros países com quem nos relacionamos".
Outros senadores têm uma visão mais pragmática. Pedro Simon (PMDB-RS), membro do Parlamento do Mercosul, pensa mais alinhado ao Itamaraty.
"A partir do ingresso da Venezuela no Mercosul, nós [governo brasileiro] teremos condições de exigir que a democracia seja preservada naquele país sob pena de [a Venezuela] ser afastada. Ficando de fora do Mercosul, atiraremos a Venezuela nos braços de uma interrogação".
Para o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), não há como desprezar a importância econômica da Venezuela na América Latina.
Ele citou como exemplo as exportações brasileiras para o país, que, segundo ele, cresceram de U$ 600 milhões para U$ 3,6 bilhões nos últimos anos.
Por: Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
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