Brasília - Embora as mulheres negras tenham mais estudo que os homens negros, elas são mais facilmente atingidas pelo desemprego. A conclusão está na pesquisa Escolaridade e Trabalho: Desafios para a População Negra nos Mercados de Trabalho Metropolitanos, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A média de estudo entre as mulheres negras é de 9,6 anos e entre os homens negros é de 8,9 anos.
No Distrito Federal, por exemplo, o desemprego atinge 22,4% das mulheres negras frente a 16,4% dos homens da mesma raça. Em Salvador, 26,3% delas estão desempregadas, enquanto entre eles esse percentual é de 20,7%.
A pesquisa foi realizada em cinco regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e São Paulo) e também no Distrito Federal.
As práticas discriminatórias são apontadas como um dos fatores que explicam o porquê de a maior escolaridade não se traduzir, necessariamente, em melhor ocupação, explica o coordenador da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese, Antônio Ibarra. Outro motivo, segundo ele, é que a discriminação leva as mulheres negras a serem mais suscetíveis a trabalhos fora da rede de proteção social, ou seja, sem carteira assinada e sem direito aos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Há práticas discriminatórias em relação a essas mulheres e elas também acabam tendo acesso mais fácil a trabalhos como de doméstica. Isso é mais comum entre as mulheres negras do que as brancas”, afirma Ibarra.
Em São Paulo, 48% das mulheres negras ocupadas estão em situação de trabalho vulnerável. No caso dos homens esse percentual cai para quase 31%. Em Porto Alegre essa diferença é ainda maior, são 46% das mulheres negras e 28% dos homens.
Se comparados aos dados de não-negros, o índice de ocupação em trabalhos que estão fora da rede de proteção social cai. Em São Paulo, 33% das mulheres brancas estão empregadas em trabalhos vulneráveis e 25,5% dos homens. Já em Porto Alegre, são 31,7% das mulheres e 24% dos homens.
Para Antônio Ibarra, escolaridade é a palavra-chave para reduzir essas desigualdades. “O melhor caminho, sem dúvida, é que quanto maior a escolaridade, menores são as diferenças salariais e menor a vulnerabilidade que a pessoa tem em sua ocupação.”
O pesquisador aponta a aplicação de ações afirmativas - como a política de cotas nas universidades - como forma de aumentar a escolaridade entre os negros.
Por: Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
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