Brasília - O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou hoje (6) que o partido não faz qualquer restrição a uma possível candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à Presidência do Senado. Duas vezes presidente da Casa e ex-presidente da República, Sarney não apresentou sua candidatura na reunião de ontem da bancada peemedebista, mas seu nome tem sido citado por vários parlamentares.
"Não vejo veto de ninguém, na bancada [do Senado], ao presidente José Sarney. Pelo contrário, nossa relação com o presidente Sarney é muito boa", afirmou o presidente do DEM. Rodrigo Maia fez, no entanto, a ressalva de que este assunto está sob coordenação do líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN).
No PSDB, também há brechas para uma negociação em torno do nome de José Sarney. O presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), disse hoje que a única resistência ao peemedebista é do líder Arthur Virgílio Neto (AM).
"Se o senador Arthur Virgílio for candidato à Presidência, seguramente terá o nosso voto, mas esta questão não foi vista no PSDB ainda. Há a posição do senador, como há outras posições na bancada até favoráveis ao senador José Sarney", afirmou o presidente tucano.
Sérgio Guerra destacou, no entanto, que o partido só tratará da sucessão de Renan Calheiros quando o PMDB oficializar o nome de seu candidato - o partido tem preferência, por ter a maior bancada no Senado. O líder peemedebista, Valdir Raupp (RO), marcou reunião para as 9 horas de terça-feira (11) com o objetivo de definir o candidato do partido.
Dependendo do senador escolhido pelo PMDB, Sérgio Guerra não descarta a possibilidade de o PSDB ter candidatura própria, com o apoio do Democratas. Um dos nomes mais fortes seria a senadora Marisa Serrano (MS), relatora do primeiro processo de cassação de Renan, juntamente com Almeida Lima (PMDB-SE) e Renato Casagrande (PSB-ES).
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), afirmou que será o primeiro a apoiar qualquer que seja o nome indicado pela bancada do PMDB. Questionado se Sarney seria o nome capaz de agregar as diferentes correntes políticas, Viana disse que "é natural que ele tenha muita credibilidade" entre os senadores.
O petista fez questão de ressaltar, no entanto, que a escolha do sucessor de Renan é de "exclusiva" competência do PMDB. Disse ainda que realizará, na terça-feira, uma reunião de líderes para saber se há condições de realizar a eleição da nova Mesa Diretora.
O presidente interino da Casa negou qualquer ingerência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem conversou ontem, no Palácio do Planalto. "O que ouvi do presidente Lula foi claramente o seguinte: a eleição no Senado diz respeito apenas ao Senado e o nome que o PMDB indicar ele entende como, naturalmente, o nome que deve ser prestigiado por todos nós".
Por: Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil
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