Brasília - O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sugeriu hoje (17) que o governo corte despesas para compensar o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
"Resta ao governo quatro alternativas: corte de despesas, corte de investimentos, aumento do endividamento e aumento de impostos. Eu optaria pelo corte de despesas", disse.
Mesmo diante dessas alternativas, Dornelles disse que "numa hora dessas, é preciso ter muita calma, muita serenidade, e examinar as alternativas, porque não há milagres".
Para o ex-ministro da Fazenda, da Indústria e Comércio e do Trabalho, o governo tem que pensar bem antes de tomar qualquer atitude para recompensar a perda de cerca de R$ 40 bilhões de arrecadação da CPMF.
Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que a oposição não aceitará nenhum aumento de impostos. "Se houver algum aceno do governo nesse sentido, a votação em segundo turno da Desvinculação de Receitas da União (DRU) poderá ficar comprometida. O anúncio do aumento de qualquer imposto provocará reação em cadeia no Senado, na oposição".
Ele lembrou que a votação da DRU em primeiro turno, na quarta-feira da semana passada (12), foi conseqüência da derrubada da CPMF.
Dias disse que "é inadmissível qualquer aumento de imposto a essa altura, com a sobra de arrecadação que o governo está tendo".
O senador definiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como "um terrorista econômico, sempre prometendo aumentar impostos. Felizmente o presidente Lula o desmentiu, embora, logo depois, dissesse que o governo precisa buscar recursos".
Álvaro Dias disse que é absolutamente contraditório o governo falar em aumentar impostos quando dispõe de um excesso de arrecadação. “O que o país precisa é de uma ampla reforma tributária, que venha trazer Justiça num sistema onde os mais pobres pagam mais impostos do que os mais ricos, e alguns, que deveriam pagar, não pagam nada".
Por: Antonio Arrais
Repórter da Agência Brasil
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