Brasília - Durante 1ª Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, o professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo (USP) e consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Pastore, comentou a proposta de se ampliar o ensino profissionalizante em parceria com o Sistema S, que inclui Sesi, Senac, Senai, entre outras instituições. Segundo ele, em vários países do mundo, onde há o sistema de formação profissional, os empresários têm participação efetiva, uma vez que conhecem quais são as tecnologias emergentes e como deve ser formada a mão-de-obra adequada à produção.
A proposta foi elaborada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele explicou que a proposta destinaria até 30% dos recursos das contribuições sociais das empresas ao sistema para cursos profissionalizantes, gratuitos, a alunos do ensino médio de escolas públicas. A idéia será analisada durante a conferência e, se aprovada pelos participantes, será incluída em documento que vai nortear as ações do Ministério da Educação na próxima legislatura. Isso porque a proposta necessita de apoio do Congresso Nacional e do Sistema S para que a legislação seja modificada.
O professor afirmou que os cursos oferecidos pelo Sistema S têm qualidade, mas não atendem a toda a demanda do Brasil. “O país é mundo grande, o sistema não dá conta de atender a toda demanda. Se o Brasil crescer entre 4% e 5%, não haverá profissionais qualificados. A mão-de-obra constitui um entrave ao crescimento”, acrescentou Pastore.
O professor explicou ainda que para cada 1% de crescimento da economia brasileira são gerados 500 mil postos de trabalho. Desse total, 25% exigem profissionais qualificados não disponíveis no mercado. Segundo o professor, a força de trabalho brasileira tem, em média, seis anos de escolaridade, enquanto na Coréia do Sul, são 10 anos e nos Estados Unidos e Japão, 11 anos.
Por: Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
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