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Especialista comenta decisão da justiça e aponta desvantagens da construção de nova usina nuclear

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 16 de novembro de 2006
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Rio de Janeiro - O coordenador do Conselho Mundial de Energias Renováveis (WCRE) na América Latina, Stefan Krauter, manifestou hoje sua posição contrária à continuidade do projeto de construção da usina nuclear de Angra 3, no Brasil. Em entrevista à Agência Brasil, o especialista argumentou que além de cara, a energia nuclear apresenta vários problemas no país, ainda não resolvidos. Um deles é a destinação do lixo nuclear.

“O Brasil é um país muito grande e a nuclear é uma energia muito concentrada. Fora os custos altíssimos, muitos componentes precisam ser importados”, declarou, lembrando que atualmente a esses se somam outros problemas mundiais ligados ao terrorismo.

“Ainda não tem solução própria para o tratamento do lixo nuclear”, enfatizou Krauter. Segundo o especialista, a energia nuclear teve seu auge nos anos 50 a 60, mas muitos países, incluindo a Alemanha, abandonaram essa fonte de energia. “Não sei porque o Brasil ainda quer gastar tanto dinheiro nisso”, manifestou.

Stefan Krauter apoiou a decisão em caráter liminar da Justiça Federal de Angra dos Reis que determinou na última sexta-feira (8) a suspensão do processo de licenciamento ambiental para implantação de Angra 3 na costa fluminense. “A energia nuclear tem vários problemas que não são resolvidos e também tem custos altíssimos. Não é uma coisa bem sustentável. Sou contra a continuação de Angra 3”, afirmou.

A usina, além de demandar investimentos altos, teria problemas técnicos, políticos e de segurança associados com o programa nuclear, conforme assegurou Krauter. “Angra 3 não é bom para a perspectiva de longo prazo para o Brasil”, disse o coordenador do WCRE na América Latina.

De acordo com informação da Eletronuclear, ao longo dos últimos 20 anos, já foram investidos na compra de equipamentos importados para a usina de Angra 3 cerca de U$ 700 milhões. A conclusão do projeto envolve recursos adicionais de R$ 7 bilhões, dos quais 30% deverão ser investidos no exterior, na aquisição do sistema de instrumentação e controle, e 70% no Brasil.

Por: Alana Gandra

Repórter da Agência Brasil

 

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