São Paulo - Dezenas de pessoas participaram hoje (19) de ato público contra o reajuste salarial de 90,7% para os congressistas, aprovado pelas lideranças dos partidos. A manifestação foi organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Praça do Patriarca, no centro da capital paulista. A central convidou a população a aderir a um abaixo-assinado.
De acordo com a CUT, ao longo desta semana, estão sendo realizados atos em todos os estados e coleta de assinaturas em várias capitais para um abaixo-assinado contra o aumento salarial para os congressistas. “A proposta causa mais indignação ainda quando a gente vê os deputados e senadores propondo aumento do salário mínimo para R$ 375”, disse o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos.
Para ele, este é o momento de canalizar a indignação da população contra o aumento. “Não basta ficar preso a decisões judiciais. É preciso que a população estabeleça um processo de decisão sobre coisas que afetam o conjunto da sociedade”, disse Santos, em referência à decisão provisória dos ministros do Supremo Tribunal Federal de barrar o reajuste salarial.
Carregando um exemplar da Constituição Federal, o artesão Erasmo Gilberto Coentro, de 32 anos, disse que o aumento para deputados e senadores é um abuso de poder. “Do dia para a noite, eles decidiram aumentar seus salários em 91%, enquanto o povo, principalmente nas regiões mais assoladas como o Nordeste, vive na miséria, em situação precária”. Para Coentro, os congressistas deveriam “tomar vergonha na cara”, parar de “brincar de governar o povo” e “ler a carta maior do país”.
O catador e morador de rua Celso Rocha do Prado, de 32 anos, também repudiou o aumento de 90,7%, concedido na semana passada. “É o fim do mundo. No que estes deputados e senadores vão gastar este dinheiro?”, perguntou.
Já o vendedor ambulante Edson Bertoso de Albuquerque, de 43 anos, pediu aos governantes para pensarem mais no povo. “Será que não está bom o salário de R$ 12 mil? Olha pra trás, aquele que está ganhando R$ 350 reais”, disse.
Segundo o presidente da CUT, as assinaturas colhidas em todo o país serão reunidas e o abaixo-assinado será reunido e entregue ao Congresso Nacional.
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